Consulta

O que dói? Onde? Explica como é. Pontadas? Dores intermitentes? Contínuas? E a intensidade, muda, não muda? Ela ouvia o médico e pensava em suas dores. Qual deveria descrever? A que a levou lá ou a outra? Qual doía de verdade? Deite-se aí. Vou ouvir o coração e medir sua pressão. Faz tempo que não anda normal essa pressão, não é mesmo? Ouvir o coração. É possível ouvi-lo? E, mesmo que seja, é possível seguir seus mandamentos? Estica o braço pensando. Qual a pressão que ele vai medir? A do meu corpo? A que estou submetida? Como será possível aliviar esta pressão? Com comprimidinhos comprados na farmácia ao lado do consultório? Está tudo em ordem por aqui, mocinha. Ela sorriu. Mocinha. Só precisamos descobrir a origem da dor. Por enquanto vou receitar apenas um analgésico enquanto esperamos os resultados dos exames. Ora, ele é médico está certo, quer descobrir a origem, mas não poderá. Eu sei. Sei, e muito bem, qual é a origem. Levantou-se, agradeceu o médico, pegou sua bolsa e saiu pela porta afora. Sua receita! Não vai levá-la? Voltou atrás, pegou o papel e agradeceu novamente. Ele até que se esforçou, reconhecia, mas a receita para seu mal não era aquela. Na rua levantou os olhos e observou o azul do céu. Sentiu os raios do sol penetrando-lhe a pele. Respirou fundo e seguiu.
Escrito por Ariane às 14h53
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