[cont.]
Que alma se sente liberta
se o caminho não acerta?
Que destino tem o rumo
se tudo o que planta na beira
são marcas de eternidade
onde o que falta é vontade?
Na coleira se têm presos
destinos que, nunca ilesos,
se deixam açaimar indefesos.
A luta exige preparo,
espírito e desapego;
se tudo o que tem é forte,
se não conhece seu norte,
se basta chorar as marcas
- acreditar nas amarras –
se hesita em soltar o grito,
liberdade é algo distante,
não cabe à alma errante.
Quem quer mostrar cicatrizes
há que falar em dias felizes,
há que honrar os movimentos,
há que ter no pensamento
que algumas culpas e sentimentos
não cabem no mesmo bojo
e perdão não é palavra
- e nem deve ser desejo –
daquele que sabe a lavra
do espírito que tem preso.
Ariane