Indecisões

O que devo fazer? Dormir, comer, beber? Fumar, jogar, pensar? O que alguém faz às 3:32h, madrugada chuvosa, em que o friozinho é bem vindo, em que a cabeça está funcionando a mil por hora, em que há milhões de coisas a fazer, coisas de que sou capaz, mas das quais não tenho vontade nem de pensar. Tenho a impressão de que estou num túnel, longo, escuro, sem-fim, porém, sei que há uma saída. Todos os túneis a têm. Só não consigo vislumbrar luz alguma. Não sei dos meus dias. Eles passam voando por mim. Não sei das minhas horas. Elas não me pertencem. Não sei das coisas que quero, desejo, almejo. Nada disso é importante. Sinto-me algo e não alguém. Sinto-me provedora quando tudo o que sempre fui não combina com isso. Tenho prazos a cumprir, trabalhos a fazer, estudos a concluir, coisas a comprar, a pagar, a fazer. Isso tudo é viver. Isso tudo é viver da forma que não quero, mas que se apresenta desta forma e é assim que deve ser. Deve? O que estou fazendo? O que devo fazer? Será que apenas eu me faço essa pergunta? Quantas pessoas a estão fazendo neste exato momento? Por que vivemos da forma que não queremos, vivemos da forma que achamos que devemos e ninguém neste mundo nos diz o que devemos fazer? Como? De que forma? Todos franzem narizes à nossa volta a cada vez que fazemos algo que ‘acham’ que não deveríamos ter feito. Quem sabe o que fazer? Como? Quando? Quem tiver a resposta me diga, por favor! Ando perdida em tantos pensamentos que tenho a impressão de que eles estão tomando corpo, assumindo o controle e embaralhando a vida. Será que eu deveria deixar de pensar? Deixar de fazer? Deixar de querer? Talvez a vida seja essa sucessão de escolhas, de decisões, de erros e acertos. Olho para um lado e vejo acertos adoráveis. Olho para outro e me vejo errada, incerta, titubeante. Que droga!!!! Quando vou acertar algo? Quando vou poder dizer que tudo está absolutamente perfeito? Já sei a resposta: nunca! E se sei a resposta, por que pergunto? Não importa, jamais conseguirei escapar da minha condição de ser. Humana.
Ariane
Escrito por Ariane às 03h50
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