Viajando

Verdades. Elas são minhas, saem do meu pensamento através da minha boca, mas... quem acredita nelas?
Olho para o espelho e vejo uma imagem. A minha. A que me sei. Como serei vista através desse mesmo espelho, mas por outros olhos? Não sei, posso apenas presumir pelo que recebo de volta.
Certezas sobre mim que não tenho. Ilusões sobre o que sei que não sou. Vontade de gritar: errado! Não sou isso!
A resposta vem depressa, através de bocas amigas: você é o que você mostra ser. Será? Será que sou mesmo? Será que mostro algo que eu não sou ou sou o que estou mostrando, o que todos vêem, menos eu?
Paradoxos.
E os outros? Será que sentem o mesmo que eu? Também se acham algo diferente da imagem que sabem ter? O que vale mais? O que sou ou o que pensam que sou? Talvez o que eu pense que eu seja, mas isso não vale também. No fundo, acho que penso algo, mostro alguma outra coisa, sou vista de outra maneira, ainda, e ao final, sou uma mistura de tudo isso.
Por que estou pensando em tudo isto?
Porque eu sei que não sou burra, mas tem gente que pensa que sou. Porque sei que não sou boa demais, mas tem gente que acha que sou. Porque sei o que quero e, mais importante, o que não quero, mas tem gente que pensa saber mais que eu.
Reconheço que já fiz muito disto, principalmente em relação aos filhos. Sempre pensei saber mais que eles. A vida se encarregou de me mostrar que eles têm mais a ensinar a mim do que eu a eles. Isso é uma benção.
O que me faz pensar em tudo isto é o dia-a-dia. São as sensações, percepções e certezas. Vivências. Será mesmo que vou morrer sem descobrir quem sou?
Ariane
Escrito por Ariane às 20h53
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