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Amigo...

Eu tenho um amigo. Um só. Várias pessoas convivem comigo, gostam de mim, desgostam, me aturam, divertem-se com minhas bobagens. Mas amigo, daqueles de agüentar porradas, segurar vontades e fazer aquilo que é tudo o que esperamos dele - estar presente – é um só. Estou falando do amigo do gênero masculino. Sobre as amigas, falo depois, em outra oportunidade qualquer. O meu amigo é daqueles que não se importam se eu interrompo um pensamento dele; se ligo na madrugada para dizer que perdi a chave do carro e preciso de alguém para ir me buscar; se resolvo dormir e preciso de alguém para ficar me olhando, porque eu quero dormir com alguém tomando conta do meu sono. E ele faz. Faz tudo isto e mais um monte de outras coisas bobas. Exigências minhas. Eu? Óbvio que não tenho tudo isto porque ele é bom demais. Tenho porque também faço cada absurdo para agradá-lo que nem eu acredito. Mas é meu amigo, fazer o quê? Ele deve se perguntar o mesmo. Uma coisa é certa: tenho algo que ele sabe que é bom e o inverso é verdadeiro. Segredos? Não os tenho para ele, acredito que ele não os tenha para mim. Quando mando correspondência, apressa-se a responder. Quando o procuro, não demora a aparecer. Quando preciso falar com ele, parece que ouve meus pensamentos, porque se materializa na minha frente ou, no mínimo, me liga. Ele se preocupa comigo quase tanto quanto se preocupa com si próprio... talvez mais. Também sou assim, também faço o mesmo por ele. Não consigo imaginar minha vida sem ele. Ele nunca teve interesse sexual por mim. Nem eu por ele. Nos entendemos através do olhar. Rimos de coisas que ninguém mais ri. Estamos num estágio tão elevado que nos comunicamos quase telepaticamente. Confio tanto nele que o chamo de meu anjo. E sei que sou a anja dele. Alguém tem um amigo assim? Eu tenho. Tenho? O que estou dizendo? Ah, gente, desculpem-me. Usei o verbo errado lá no início. Deveria ter começado assim: eu quero um amigo...
Ariane
Escrito por Ariane às 00h44
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Precisão

Preciso falar com você, preciso te dizer que preciso, preciso te ouvir dizer que precisa.
Não sei o que preciso, só sei o que sinto precisar. Você deve sentir o mesmo.
Quando fala, eu calo, quando cala, quero ouvir, quando ouço, quero estar ao teu lado, em silêncio, sentindo apenas o calor do teu olhar, o afago do teu cheiro, o abraço da tua ternura; não preciso de mais nada.
O resto é o tudo que preciso. Completamente contraditória, absolutamente precisa.
Ariane
Escrito por Ariane às 11h20
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