Retalhos e Pensamentos


"A democracia surge da noção de que aqueles que são iguais em algum aspecto são iguais em todos; porque os homens são igualmente livres, eles exigem serem absolutamente iguais."


 

Aristóteles

 

Posto abaixo um comentário que fiz na página da Loba em relação à questão do desarmamento. Sou franca em dizer que demorei a decidir se emitiria minha opinião ou não. A decisão quanto ao meu voto não me fez hesitar, uma vez que tenho opinião formada sobre direitos e democracia e sociedade e Estado, e mais outros tantos conceitos, há algum tempo. A indecisão deu-se apenas quanto ao fato de externar meu voto.

O referendo é instituto democrático diferente do plebiscito. Enquanto este questiona a Nação sobre a necessidade de alguma mudança significativa para que depois se elabore a lei, o referendo apresenta a lei e pede sua aprovação ou desaprovação. Discussões são suscitadas e todos são convocados para dar seu voto, em verdade, são obrigados a comparecer, uma vez que no nosso Estado este é obrigatório.

Acredito que, à revelia do momento político que atravessamos, o fato de se colocar em prática um instituto democrático como este é positivo sob todos os aspectos. Criticar algo que é da essência da democracia não me parece ser a melhor saída para resolução de algum problema.

Os problemas existem, a corrupção está firmemente instalada, não temos a mínima noção [alguns de nós a têm] sobre o que acontece nos meandros do poder, mas o referendum deve, e deveria, ser utilizado não apenas na questão do desarmamento, mas em TODAS as questões relevantes.

Não consigo esquecer que o Estado não está desvinculado da Nação e que a Nação somos nós. Não posso esquecer, também, que o Estado não faz o que quer, mas faz [ou deveria fazer] apenas aquilo que o pacto social lhe concede como poder. Não posso esquecer, igualmente, que sou parte desta Nação e que, como tal, tenho não apenas o direito, mas a obrigação de me manifestar.

Sei que haverá contestações. Serão bem-vindas. Meu blog é democrático, rs.

Acho que é isso.

Beijos a todos,

Ariane

P.S.: Excluí temporariamente o texto anterior devido a falhas na formatação que pretendo solucionar. Salvei todos os comentários e espero publicar novamente assim que conseguir resolver o problema.



 Escrito por Ariane às 13h22
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Loba, demorei a decidir se emitiria minha opinião ou não. Primeiro pq é minha e pouco importa aos outros se penso sim ou não. O máximo que pode acontecer é concordarem ou discordarem total ou parcialmente. E dá-lhe discussão. Por que acho isto? Porque somos humanos e dotados de inteligência e vontade. Fico pensando em nosso Código Penal. Lá está escrito: “matar alguém”.... pena....n* anos.... Lá não está escrito que NÃO se pode matar... diz apenas a conseqüência que advirá no caso de alguém matar. Acredito que a vida em sociedade é assim que funciona. Nada é proibido, cada um sabe [ou deve saber] o que é melhor para si, mas deve ser informado das conseqüências de suas ações, decisões, atitudes. Há conseqüências meramente sociais [que não deixam de ser terríveis, muitas vezes] há conseqüências econômicas, há conseqüências na própria liberdade de ir e vir, um dos bens maiores protegidos constitucionalmente. Partindo deste raciocínio, penso que se nosso maior bem [que é a vida] não é passível de ser legalmente protegido [uma vez que o Estado não proíbe matar, apenas penaliza quem o faz] discussões sobre o direito de possuir armas de fogo, ou não, são bem vindas, mas uma Lei proibindo ou permitindo esse direito é algo, no mínimo, estranho.  Primeiro, pq acredito, como já disse, que somos dotados de inteligência e vontade. Proibir algo por conta de alguns é colocar todos no mesmo saco e submeter-se às decisões de um paternalismo exagerado. Segundo, pq nada nos deve ser proibido, mas sim penalizado. Tomamos a decisão de praticar o ato ou não. Fico pensando nos tempos da lei seca, nos Estados Unidos. Todos sabemos no que deu. Enfim, acredito que quem não quer possuir uma arma de fogo, já não a possui, por decisão própria e racional. Quem a possui, é pq acredita que ela lhe seja indispensável, tb por decisão própria e racional. E cada um submete-se às conseqüências dessa decisão. Se não possuir uma arma de fogo me coloca em risco, corro o risco. Se possuir uma arma de fogo me coloca em risco, corro o risco. Pq uma lei não conseguirá proibir alguém que a queira de possuí-la, simplesmente criará um mercado paralelo e mais uma possibilidade de enriquecimento para alguns. Acredito que proibir não é o caminho. Acredito que o caminho é regular, controlar, penalizar. Pq se o Estado, que nos protege, souber quem vende, a quem vende, quanto vende, o que vende, e penalizar a quem faz uso indevido [seja ele qual for] já estará fazendo seu papel. A mim não importa quem vai ganhar dinheiro com isto. A indústria? Os novos Al Capones? Qual a diferença para mim? Sei que uma mera proibição não proíbe ninguém. Sei que conseqüências penalizantes podem inibir pessoas conscientes. Sei que há alguns que vivem à margem de tudo isto. Então, se sou dotada de inteligência e vontade, sou dotada do poder de discernir se quero algo ou não. E correr o risco. Por isto voto NÃO. Ah, eu não tenho arma de fogo na minha casa, jamais terei e não acredito que ela possa me defender de algo. Tb sou da paz. Meu voto defende meu livre-arbítrio, só isto.



 Escrito por Ariane às 13h16
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