Delírios

Uma prece nunca é perdida. O problema é não se perder no pedido.
Tudo o que nos separa
evanescentes pensamentos
certezas adquiridas
contestações frente a vida
covardias presumidas
não há mundo distante
não há sequer criação
de valas, muros, casamatas
que não sejam de nossos temores
varando os nossos desejos
obstáculos concretos
em delírios construídos
em inseguranças fundados
em dúvidas sedimentados
bolhas de sabão.
[continua]
Escrito por Ariane às 19h17
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O que nos separa resiste
o que nos une não se explica
os sussurros em gritos ouvimos
palavras jogadas ao vento
sentimento aprisionado
amarguras liberadas
dias e noites de espera
a faca afiada pendente
o terror da escuridão
a alma refém do medo
chorando e pedindo segredo
em súplicas se passam as horas
desintegrando verdades
construções de sanidades
o que é destreza ou magia
não se sabe noite ou dia
e tudo o que nos separa
se traduz numa palavra
que a boca – arredia -
comprimida em rebeldia
não traduz com precisão
o que a alma já sabia.
Querer, desejo, paixão
vontade, respeito, tesão
confiança, ciúme, liberdade
amarrados na saudade,
faz o mero observador
facilmente ver o logro.
Tudo o que nos separa,
nos confunde e equipara,
amálgama na eternidade,
não se presta a nenhum jogo
e tem o nome de amor.
Ariane
Escrito por Ariane às 19h15
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