Indy e Bibi

- Ou ela, ou eu!!
E assim meu irmão achou que tinha encerrado questão. Ficou com cara amarrada, andando pelo apartamento, como um galo anda pelo terreiro. Amo e senhor de sua casa, onde a última palavra é dele e de mais ninguém. Bem... isso é o que ele pensa e tenta, mas não consegue.
“Ela”, no caso, é Bibi, o apelido de Gabriela, a Lhasa Apso da minha sobrinha.
Bibi chegou com toda a pompa, em sua casinha de transporte, cor-de-rosa, óbvio, com lacinhos na cabeça e uma coleirinha, rosa também, com um guizo suave que anunciava sua aproximação.
A atitude dele era inesperada, se bem que, pra ser bem sincera, nem tão inesperada assim. Bibi chegou com a promessa de ir embora no dia seguinte. Era isto o que meu irmão pensava, mas os planos eram mais complexos e ele teria que ser duro demais para resistir ao olhar pidão de carinho da Bibi. Fora tudo, ainda havia meu filho para querer um cãozinho e minha sobrinha, já totalmente apaixonada por Bibi. Mas... como fazer para convencer o dono do pedaço?
Minha cunhada achou melhor não despertar o instinto do “não”.
Concordou em não trocá-lo por Bibi e resolveu que Bibi iria ser presenteada ao meu filho. Aí, quem teve vontade de dizer: ou ela ou eu!! fui eu !!!!! Que idéia... minha cunhada pirou, só pode!! Desde quando eu tenho condições de cuidar de um cãozinho? Já não basta a bagunça que anda minha vida? Mas... eu não sou “galo”, no meu terreiro não mando sozinha, somos uma democracia... e meu filho merece um cãozinho.
Resolvido o problema de Bibi, fomos ao pet-shop, comprar casinha, caminha, lacinhos, escovas, bolachinhas, ração e mais todas aquelas coisas “imprescindíveis” e “extremamente necessárias” para a sobrevivência de Bibi. Nós no pet-shop, e meu irmão sozinho no apartamento. Acho que teve tempo de ficar pensando que, talvez, colocar a questão entre “ela ou eu” era um caminho perigoso. Deve ter repensado, não sei bem. O que sei é que meu celular tocou e ouvi a voz do galo, quero dizer, do meu irmão: - Onde vocês estão?[Como se ele não soubesse, affeee] Nem respondi, passei o fone para minha cunhada. Não fiquei por perto para ouvir, mas a expressão dela confirmava: ele aceitou Bibi!!
Problema resolvido lá. Criado outro aqui.
Meu filho já se sentia o feliz dono de uma cadelinha linda. Como dizer a ele que ela não viria mais conosco? Não foi muito difícil convencê-lo, bastou [oh, céus!!!] a promessa de encontrar outra “Bibi” para ele. Ele foi tão compreensivo!! Disse que aceitaria outra, desde que fosse no mesmo dia. Fácil demais. Qual a dificuldade em encontrar um filhote num sábado já no meio da tarde?
Dizem que quando queremos muito alguma coisa, ela aparece na nossa frente. E foi exatamente o que aconteceu. Indiana estava lá, ao lado de outros filhotes, do outro lado da rua para ser vendida. Foi amor à primeira vista. Dele por ela. Dela por ele. Meu também, devo confessar.
E o nosso “galo” que não queria nenhum filhote, é o feliz “pai” de Bibi, e o felicíssimo “tio” de Indiana. Indy, para os íntimos.
Ariane
Escrito por Ariane às 23h05
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