Tenho-te em mim. Invadida por teus sinais, repleta de tuas ondas, perfeita em meu cismar, bolhas de sabão. Sonhos e pesadelos, noturnos, diurnos, que importa? Quanto de mim há em ti? Quase tudo o que quiseres ter, quase tudo o que puderes querer, quase tudo o que almejas. Mas...não queres, não podes, não almejas. Pelejas em luta inglória, buscas vitória onde só há derrotas. De um, de dois ou de três, de todos os que não sabem a vez de sentir, calar, ouvir, cheirar, cerrar olhos, abrir flancos.
Portas fechadas, em réstias de luz, de costas à entrada não vemos janelas, não cremos em velas, nem no que reluz. O ouro aparente, o verbo descrente, o brilho etéreo que almas conduz.
Pára tu, pensamento de Atlas! Respeita o solo, teu chão, o céu, mas, antes de tudo, lança armas, chora tristezas, levanta véus e enterra passados, acaricia cicatrizes, olvida deslizes, enfrenta os dias, as tempestades, com sede de vida e ânimo forte. Alimenta as feras, mas deixa-as reclusas, açaima os gritos e por fim, descansa o ânimo em regaço que acolhe. Aceita a dor como prêmio de luta, aceita o amor como prêmio de vida. Lembra-te que Quixotes servem ao espírito rodeado de Sanchos, mas não olvides as Dulcinéias.