Ouça

Grito no vácuo a ouvidos moucos,
em resposta, o silêncio.
Conheço a lei da indiferença
que mata a esperança,
induz a descrença, marca a fogo,
fere e dói.
Em peito vazio o som não propaga,
nada ressoa ou retribui.
Mas grito.
Na esperança que mudem as leis,
que o vácuo instalado se desfaça,
por obra minha ou de outra qualquer.
Grito e espero.
Um dia ressoará em retribuição ao zelo,
seja para quem for, como for.
Grito mais forte, quem sabe a mim te volte,
mas quando a outros gritos a atenção despertas,
calo a voz, sussurro um adeus,
esvazio o peito, ensurdeço o som,
coração lacerado, a fogo marcado,
a razão, em escárnio, num sorriso infeliz.
Desdigo o grito, recolho a alma
no vácuo eterno da desdita, aflita,
não ouço gritos, não quebro a lei.
Se foi de cristal o meu grito a ti,
de ouro o vácuo que a mim, me dei.
Ariane
Escrito por Ariane às 22h52
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