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Um amigo, um motivo, uma desculpa...

Ando sem tempo e sem vontade. O tempo não seria problema não fosse a falta de vontade de arrumá-lo. Outro dia, conversando com um amigo querido, a pergunta veio: por que você só escreve poemas? Gosto da sua prosa e quase nunca as vejo por aqui. Fiquei pensando nisto. É claro que pensei em várias desculpas, mas nenhuma me convenceu. Por certo não convenceria a mais ninguém. A verdade é uma só: escrever poemas é mais fácil. Não que eu saiba escrevê-los, nem que seja fácil no sentido literário do termo. Escrever sob a forma de poemas é mais fácil porque me proporciona a possibilidade de falar sobre um mundo de coisas, muitas delas explícitas, outras veladas, com a segurança de que cada qual vai interpretar da maneira que quiser, sentir, de acordo com o momento que está vivendo. Com a prosa não acontece o mesmo. Nela expressamos opiniões, posicionamentos que são facilmente detectados pelos leitores, passíveis de discussões, explicações e debates. E gosto do debate, acho que faz parte da profissão ou da minha natureza, não sei.
E volto ao início. Ando sem tempo. E sem vontade. Nada de muito grave, nada de muito importante, nada que possa ser um real impedimento a fazer o que mais gosto, que é escrever, mas acho que ando impaciente com as coisas. Ou será com as pessoas? Ando impaciente com a impaciência. Ando impaciente com a falta caráter de muitos. Ando impaciente com mentiras e enrolações. Ando impaciente com aqueles que acreditam ser, este, um mundo onde vale tudo. Onde cada um é por si. Onde o importante é levar vantagem. Onde cada um que resolva seus problemas. Não sou assim, sei que é assim, mas não posso deixar de ficar impaciente.
Estava escrevendo estas palavras quando recebi uma ligação. Um amigo antigo que resolveu perguntar se eu precisava de uma central telefônica. Claro que sim, a minha já está ultrapassada. Então disse: vou dar uma para você. Perguntei o porquê disto. Por nada, sei que você está batalhando, eu a tenho, e quero dar a você. Assim, do nada. Desliguei o telefone e fiquei pensando. Ainda há gente no mundo que se preocupa. Que nos enxerga. Que sente por nós, mesmo quando estamos quase desistindo de lutar. Isso é um aviso? É uma intimação? Uma bronca divina? Não sei. O que sei é que não devo desistir das pessoas. Enquanto houver uma que esteja por perto, simplesmente por estar, vale a pena eu estar por perto também, de todos, simplesmente por estar.
Amigo querido, aí vai a resposta: enquanto quiser me ler, escreverei, em prosa, de preferência, em verso quando estiver cansada, sem tempo...
Ariane
Escrito por Ariane às 19h12
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Mensagem

Costumo pensar que, em todas as datas representativas de algo, além do que elas têm de história, tradições, religiosidade, significam também momentos de convergência de pensamentos, quando as pessoas acabam por se unir numa corrente de energia que só pode fazer bem. A Páscoa é um momento de reflexão e renovação. Que todos usem do bem maior que, na minha opinião, é a sinceridade. Não aquela que vem da boca para fora, mas sim aquela que está em nosso coração. Muitas vezes o que dizemos não é o que sentimos, e a sinceridade de nós para nós é algo que nos faz perceber o quanto ainda temos de caminhos a trilhar.
Que todos tenham um dia iluminado, que sirva de reflexo para os momentos de escuridão, para que sempre possamos recordar que da mesma forma que houve a morte, existiu a ressurreição.
Entendo assim a nossa vida: cheia de momentos em que pensamos ter chegado ao fim, mas confiantes que estamos aqui para cumprir algo e que este fim só chegará no seu devido tempo. Boa Páscoa a todos, é meu desejo sincero. Beijo,
Ariane
Escrito por Ariane às 12h01
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