Retalhos e Pensamentos


Concerto

Não entregue as pontas,

recolha as contas,

pérolas pelo caminho.

Não vá sozinho, avance, descanse.

Assuma a força vital que anima 

e quando estiver esquecida,

recorda que há na sua vida,

alguém esperando você:

eu, que não sei esquecer seu caminho.

Aqui distante,

vou trilhar esse sentimento errante,

que preenche dias,

esquenta noites.

Ah, você, pleno, repleto,

recipiente de emoções,

receptáculo de mim.

Ariane



 Escrito por Ariane às 11h45
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Da tal

O que o faz cativo do desejo de liberdade?

a vontade de voar, o fascínio pelo ar,

a brisa serena e calma, a noite tempestuosa,

a vida que quer gostosa, a dor de uma saudade?

 

O que lhe faz indócil e sem cuidado?

Contigo, comigo, com todos,

- que se apressam em lhe abrir caminhos -

cometendo desatinos do verbo mal colocado?

 

O que lhe traz a conquista?

Desejo de aceitação, mentira, prazer, paixão,

contabilidade maquiavélica,

certeza de competência, a falta de resistência?

        

O que deseja de certo?

Na vida, caminho aberto;

- desejo a todos comum -

porém, é preciso, mesmo,

caminhar apenas um?

 

Tolice essa liberdade que preza como verdade.

 

Ela se planta

– e revela –

na alma capaz de dar-se,

no desejo de viver

– tendo o amor como seqüela -

na carícia do instante

- que, se real, perpetua -

no final que se anuncia àquele que quer distância

da vida sem tolerância.

 

No querer, de si bem certeiro,

- sem temor a metade visada -

na vida, no mundo, no tudo

transformar-se num inteiro.



 Escrito por Ariane às 04h12
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Pensamentos desconexos

O que quero pra mim? Foi pensando nisto que se deixou ficar, sentada em sua poltrona predileta sem se dar conta que o sol havia se recolhido há muito e que a luz que a iluminava era reflexo da lua, clara e brilhante aquela noite, num contraponto aos seus pensamentos confusos e sombrios. A vida transcorria num ritmo alucinante e ela não tinha tempo de parar para pensar nela. Ia vivendo seus dias, monotonamente, um após o outro, fazendo o que dela esperavam e evitando qualquer tipo de complicação desnecessária. Dava-se bem, assim. Não queria muito mais, se bem que todos a vissem como alguém que podia muito mais. Até que aconteceu. Não sabe como, nem porque, mas algo fez com que saísse daquele estado de quase letargia e voltasse à tona, respirando com dificuldade, tomando consciência que, sim, estava viva. Quase morreu nessa retomada. Quase sucumbiu ao excesso de ar a que seus pulmões já não estavam mais habituados. Obrigou-se a respirar devagar, emergir lentamente e olhar para o mundo novamente da forma que ele sempre foi. Estava fora do seu habitat. Reconheceu lugares e pessoas, mas já não se sentia parte deles. Tentou, daquele seu jeito direto de ser, integrar-se a tudo aquilo, mas não percebeu que o terreno em que pisava não era terra firme. Ora estava voltando a submergir, ora estava alcançando as estrelas, num caleidoscópico suceder de dias e situações. Queria voltar ao seu espaço, duramente conquistado. Queria voltar a sua condição de semi-viva – ou semi-morta. Tanto fazia. Não se importava. Esperou por outro acontecimento qualquer, por uma lufada de vento, por uma palavra, um gesto, um desabrochar. Esperou. O sol tornou a brilhar e ela continuava sentada. Na mesma posição. Na mesma poltrona. No mesmo lugar. Essa a resposta. Não importa, tanto faz.

Ariane

 

Há muita gente dizendo que não está conseguindo acessar meu blog, por este motivo estou postando em um novo endereço sem que este seja desativado.

http://retalhosariane.zip.net/



 Escrito por Ariane às 04h01
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Cuidados

Destinos cruzados no espaço

profundezas da alma alcançam,

estilhaços de estrelas no peito desavisado,

flores despetaladas e vidros quebrados,

nada é por acaso, tudo é ocasião.

Chão profano, mente ardente,

somente a falácia plana, voa raso,

arrasa gente inocente, crente

enfim, para que a palavra?

Certeira ela atinge alvos,

satélites naturais, artificiais,

boca serena cala, resguarda o verbo,

a fala requer cuidados, o espinho cravado é vil,

sentença de morte à alma,

perdido da vida o prazer,

- momentos que vêm e vão -

e vai seguindo por atalhos,

em passos suspeitos, olhando pros lados,

ladrão de sentidos, da mentira irmão.

E o peito se abre num pedido mudo,

a boca expele a alma presa,

nos olhos, implícitos mundos,

Para que a palavra?  - pergunta vã -

É bálsamo e conforto,

alegria e emoção, retorno da vida,

na verdade vaga o sentido perdido

recuperado, refeito em verso.

Se dele é irmão na mentira exarada,

na verdade é pai, do amor – criação.

Ariane

 

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 Escrito por Ariane às 03h56
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
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