Sorriso

Coloco a máscara sagrada,
o riso fácil, a fé doentia,
esqueço se é noite ou dia,
o querer cheio do nada.
Casacos que cobrem lamas,
sapatos limpos, brilhos, vestidos,
escondem o desafio,
o esgar congelado,
o rosto paralisado,
o falso sorriso, a fértil memória,
e no paralelo da vida
a face no pranto escondido
oculta expressão de dor.
Seguem grotescos em lágrimas,
lábios cerrados e gotas salgadas
- amálgama de perdição -
sedimentam o sentimento
em estátua viva de graça,
onde o sopro divino não passa,
segue a máscara ritual.
Ariane
Escrito por Ariane às 19h21
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