Petição
Senhor dos meus pensamentos, com toda humildade apresento
meu pleito em que tudo exponho, vos mostro os atos e fatos
que fundamentam a lide, e aqui faço o pedido
a ser por vós apreciado, e seja ao final julgado
procedente e registrado em vosso livro de sentença
a fim de que não se abale, no vosso justo minha crença.
Conto agora o acontecido, como se deram os fatos,
que findaram em desatino de perder alma e razão,
de entregar o destino, ao mesmo de quem requeiro
seja também réu confesso, no roubo da emoção.
Confio no julgamento, não vos peço impedimento,
nem existe suspeição.
Um dia em que eu, distraída, andava por vias modernas,
a vós encontrei na lida, trocamos palavras ternas,
meu coração, tão trancado, esqueceu do seu contrato,
que era viver sozinho, bateu junto com o vosso.
Convosco o mesmo se deu, mas do acaso tendes medo,
não reconheceis o segredo que a vossa alma agita.
A minha não tem receio e requer estar ao vosso lado,
que seja o pleito julgado, por vós bem apreciado,
ao final rogo e vos peço, condenada seja a imprudente,
a viver em liberdade, esquecida da saudade,
que seja eterna no amor, que a vós entregue seus dias,
que lhe seja a pena imposta, e vós também condenado,
em vosso próprio julgado, em tudo vos ponho fé.
Requeiro, a final, dobrado, o prazo para recurso,
e que nesse espaço de tempo eu vos possa dedicar,
o amor que me aperta o peito.
Abro mão dos honorários, desde que sejam julgados
recíprocos os sentimentos.
Que seja a sucumbência, não um sinal de demência,
mas o final pleiteado, vos amo, me ameis, clemência.
Isto posto, peço vênia, para requerer que aplicais,
em todo o seu rigor, a lei que regula o amor.
Liberdade, querer e paixão, entendimento, calor, comunhão.
Se vós por mim tendes sentimento, nada mais há a expor.
Peço, e espero, deferimento.
Ariane
Escrito por Ariane às 13h44
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