Retalhos e Pensamentos


Será?

Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação?

Legião Urbana

A palavra tem duas vias,

de cima para baixo,

de baixo para cima.

Como identificar seu caminho?

Como saber de onde vem?

Ouvir pensamentos vindos do cérebro

através do coração, é temerário.

Compreender palavras vindas dos sentidos

usando a mente, é tarefa impossível.

Por que racionalizar o que é sentido?

Por que sentir o que é razão?

Palavra mágica vem através do sonho,

momento onírico, sensibilidade real,

essa é verdadeira e conduz.

Aquela que conduzimos nada vale,

não importa ao querer, ao sentir,

o que se fará deles.

Ouvir respostas nos silêncios

lágrimas traz ao coração,

tristeza infinda, um passar mal.

Interpretar movimentos, sem elementos,

impõe a dor, a si, ao igual.

Contrito – o pedido de perdão.

Ariane



 Escrito por Ariane às 18h19
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Reflexos

Há dias em que tudo o que faço parece não ter sentido. Procuro-o em todos os cantos e recantos e não o encontro. Sabe-se lá porque faço ou digo o que não quero. Deixo de fazer e dizer o que quero. Respeito o outro, a mim invado. Porque penso demais em nada, porque deixo de olhar o tudo. Sinto-me como uma tola em ver o que não existe e deixar de enxergar o que está na minha cara. Tenho alma serena, pensamentos desencontrados, coração manso, sentidos controlados. Desde que em repouso. O despertar é imprevisível. Tenho certezas esmiuçadas em pensamentos milimétricos, incertezas absurdamente ampliadas. Somos todos assim?  Sei que reclamo da chuva e reclamo do sol. Sinto frio e não gosto, no calor eu quero sombra. Carrego não-saberes, meus e de outros. Tenho respostas para tudo, menos para minhas perguntas. Preocupo-me com as dores - dos outros. As minhas eu embalo, etiqueto e congelo. Não pergunto, mas quero respostas. Respondo a tudo, mesmo sem ser questionada.  Sou extremamente feliz, na medida da minha felicidade. Não conheço medidas. Nem fórmulas. Não sei o que fazer na hora de ser feito. Sei o que não fazer. Mas faço. Creio em tudo e não creio em nada. Aguardo atos. Meus, de outros. Não sonho ou espero, mas devaneio pacientemente. Sei o que quero e digo bem claro, uso do verbo de forma suave. Cortante. Exígua. Exagerada. Não tenho medo, de nada, a não ser dos meus temores. Sou racional até o extremo da minha sensibilidade. Quando digo sim, pode ser talvez, quando digo não, pode ser depende, quando não digo nada é exatamente o que estou não dizendo. Ferro e fogo. Água e gelo. Areia e mar. Doce e amarga. Dura e gentil. Sou uma. Una. Igual a todas. Diferente. Posso tudo e nada. Podem tudo comigo também, e, igualmente, nada. Depende. Sou pontual, mas já passei da hora.



 Escrito por Ariane às 12h55
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