Retalhos e Pensamentos


Alimento

De ilusão também se vive, é pensamento comum

dela não quero ombro, dela não quero apoio.

O sonho é muito bem vindo,

é vontade e paixão, dele não abro mão.

Diferente daquela outra, que nos seduz a razão

separar é união, um é trigo, outra é joio.

A ela não dou adesão, quero – simplesmente – o sonho

... e o pão.

Ariane



 Escrito por Ariane às 19h43
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Profundezas

Um corte profundo sobre cicatriz instalada,

gotas se esvaem, espessas e escuras

como a noite que se abre ao fulgor do sol.

Nada as estanca, escancarada e aberta

a ferida fere, a fera lambe.

Não existe remédio, nem mesmo cura.

Sangra, dói, machuca e espera

suturas, bálsamos e curativos,

nada adianta nem prospera,

Cicatriz da alma, o pensar não cura,

o medo espreita atrás da porta,

folha torta, letras desencontradas,

intrigas, desejos, excessos.

Nada importa.

A hora foi marcada, selada,

só resta o escoar do tempo.

Ariane



 Escrito por Ariane às 17h31
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Eternidade

Quero-te homem. Meu homem.

Quero o enlace do abraço,

quero teu cheiro no meu travesseiro,

quero o brilho dos olhos, o abrir do ser,

seu trejeito no meu jeito.

Quero o olhar que me faz em gotas

e o sussurro que me transborda.

Quanto quero, não sei.

Quanto me dou? Me dei.

Quero-te hoje, ontem e amanhã.

Sempre não existe, nunca jamais será.

Ariane



 Escrito por Ariane às 22h19
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Sinceridade

Por que é tão difícil às pessoas o exercício de falar? Não simplesmente sair falando qualquer coisa, isto é fácil e corriqueiro. Não tecer loas e distribuir agrados, a torto e a direito. Isto também é fácil. Quero saber por que é difícil  dizer o que nos vai a mente, clarear idéias, marcar posições, abrir alma, rasgar peito. Na expressão popular: colocar a cara a tapa.  Tapas doem, afastam. Será por isto? Será tão raso o raciocínio de que um tapa pode doer mais que a indiferença? Que a ausência? Que a falta de respeito? Que a ironia? Que a mentira?

Somos seres dotados de inteligência, temos o poder de nos comunicar, mas há vezes em que nossa comunicação se faz apenas através de silvos e grunhidos. Ainda precisamos caminhar, e muito, até atingir um grau de comunicação que seja realmente efetivo. Andamos agressivos, tensos, descontentes com o todo. Se a alguém for perguntado o que lhe faz falta, discursos inflamados virão. Frases feitas ou criadas na hora, mas não o que pensa. Nunca o que pensa realmente.  Temos estradas, mas preferimos atalhos. Temos sabedoria ao alcance das mãos. Basta esticá-las. Um dia eu serei capaz de compreender porque abrimos tanto a boca para falar e porque dela raramente sai o que nos habita a alma. Ou a idéia. Hoje não compreendo. Hoje a única coisa que sei fazer é pensar os meus pensamentos. Nada grande, apenas meus. Ainda não aprendi a colocar o pensamento em palavras. Também não aprendi a jogar.  Quem sabe um dia... Espero...

Ariane



 Escrito por Ariane às 10h58
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