Profundezas

Um corte profundo sobre cicatriz instalada,
gotas se esvaem, espessas e escuras
como a noite que se abre ao fulgor do sol.
Nada as estanca, escancarada e aberta
a ferida fere, a fera lambe.
Não existe remédio, nem mesmo cura.
Sangra, dói, machuca e espera
suturas, bálsamos e curativos,
nada adianta nem prospera,
Cicatriz da alma, o pensar não cura,
o medo espreita atrás da porta,
folha torta, letras desencontradas,
intrigas, desejos, excessos.
Nada importa.
A hora foi marcada, selada,
só resta o escoar do tempo.
Ariane
Escrito por Ariane às 17h31
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