Retalhos e Pensamentos


Urgência

Beba teu vinho, líquido vermelho e quente,

ele corre teu corpo riscando caminhos de fogo,

o mesmo caminho que minhas mãos já percorreram.

O arrepio na nuca é meu desejo assoprando no teu ouvido,

a brisa que te envolve é a mesma que por aqui passou,

ouça os sons do teu mundo e nele estarei,

aquele mundo criado por você, em mim.

Sinta o cheiro do desejo a umedecer tua boca,

e sente o pulsar do teu coração,

perceba que ele bate em cadência com o meu,

teus dias e noites preenchidos de sensações

diversas, dispersas, inspiradas na minha urgência,

saciadas na minha fome de ti.

Festeje o dia, comemore a noite, apague o sol,

acenda a lua, salpique estrelas, feche os olhos,

abra a alma e venha, teu caminho é aqui.

Ariane



 Escrito por Ariane às 17h41
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Amigas

Ontem fui assistir um show. Casa lotada, muita gente bonita e eu acompanhada. De uma amiga. Anamaria é amiga de anos, muitos anos. Mais de 25. Conhece quase tudo da minha vida e eu da dela. Amigas inseparáveis se bem que ficamos pouco juntas. Quem tem uma dessas entende.  Nossa amizade vem num crescendo, a cada ano que passa ela aumenta, solidifica, acrescenta, diverte. Não somos nada parecidas – bem, nos parecemos um pouco no comportamento meio afetado – mas, talvez por isto mesmo, nos damos muito bem e nos entendemos através do olhar. Coisa de adolescente que esqueceu de crescer. Não, antes que perguntem, não confio meu homem a ela,  mas confio que ela fará de tudo para não se envolver com ele, o que não é garantia que vai deixar de acontecer. É um risco, fazer o quê? Mas, como eu ia dizendo, ontem fomos assistir um show no Tom Brasil. Chegamos cedo uma vez que saímos do serviço direto para o local. Procuramos nossos lugares e sentamos tagarelando sem parar, aliás, paramos quando o garçom chegou perguntando o que iríamos beber. É claro que demoramos horas para pedir a Coca Light de sempre e o pobre do moço parado lá, esperando.  Foi quando Anamaria teve a infeliz idéia de me perguntar onde iria passar as férias este ano. Respondi que ainda não sabia e ela, claro que sem ouvir minha resposta, continuou: ¾ Podemos abrir uma poupança juntas. Um fundo de viagem. Nisto, o casal da outra mesa virou a cabeça para nosso lado. Não entendemos bem o interesse, mas continuamos tagarelando. Eu respondi que seria ótimo, mas que ela não esquecesse que temos matrículas escolares dos “nossos” filhos para fazer, ao que ela respondeu: ¾ Claro que não, após todos estes anos que convivemos como eu poderia esquecer?  Foi mais ou menos nesta altura da conversa que nos demos conta. Estavam prestando atenção no nosso papo e a conclusão, pela expressão deles, é que nós éramos um casal! A princípio rimos, depois começamos a recordar cada palavra que tínhamos dito. Realmente, era possível inferir algo a este respeito ouvindo apenas o nosso diálogo. Neste momento vi uma mulher um pouco mais afastada, que se parecia com uma outra amiga, mas sou míope, não enxergo bem de longe, e fiquei  olhando para ela tentando reconhecê-la. Levei um cutucão de Anamaria:

 ¾ Ariane, já estão pensando que somos um casal, agora você fica olhando para outra mulher e está me colocando numa situação difícil!!

 Não entendi nada.

¾ Que situação difícil, Anamaria? Está maluca?  

¾ É claro, Ariane, se estão pensando que somos um casal e você fica olhando para outra eu sou a parte traída na história. Trate de se comportar!!

Bem, depois dessa assisti o show. Caladíssima.

 

P.S.: Eu queria me desculpar por não estar respondendo os comentários, como sempre fiz, nem visitando a todos com a constância costumeira. Se desculpa há, é que estou literalmente atolada em serviço. Assim que me desafogar um pouquinho, pretendo voltar a fazer isto. Ariane.



 Escrito por Ariane às 15h39
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Espera

O céu escurece o dia

em nacos anuviados

mais leves e suportáveis

que o semblante carregado.

O risco profundo na testa

em dúvidas e devaneios,

alheios os meus saberes

dos desejos que te são fartos,

despejo meu mel e parto.

O tempo passo em espera

e gelando vai a alma, atenta

ao movimento, ao que aparenta.

E espera pelo socorro

da palavra, da presença.

Se parto finjo que vivo,

se fico, meu Deus, eu morro.

Ariane



 Escrito por Ariane às 17h07
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Prazeres

Uma conversa gostosa, cumplicidade ativada,

uma cerveja gelada e um copo cor-de-rosa,

um bom pedaço de pizza e uma amiga antenada,

dois em um e três no meio, tudo de bom esta prosa.

 

Pedaços de vida, histórias,

todos têm e são momentos

eternizados na memória,

dias de gozo, sem lamentos.

 

O que nos faz ser assim, desta forma diferente,

que um tanto de emoção, uma atenção desatenta,

nos leva ao céu em segundos, nos faz de donos do mundo?

Alegrias efêmeras, esparsas,

mas com valor, necessárias, pois tudo torna profundo

um texto, um livro, um poema, transforma a alma pequena.

Os olhos atentos distraem,

tristezas e medos  se vão, no fluxo do coração

e tudo se torna verdade, quando se despe a fantasia

então ela vem, realidade, mas já não encontra vazia

a alma suspira saudade.

Ariane



 Escrito por Ariane às 14h04
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
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