Retalhos e Pensamentos


Confissão

Quero falar com o coração e quero que me escute com a alma,

quero contar o que sou, mas o quero surdo às palavras,

atento ao que lhe diz a pele, ao que escuta dos sentidos,

quero que diga o que vê, porque não me posso olhar,

quero que sinta por mim, porque meu sentir está contigo.

Tenho tantos quereres, tantos pedidos, tanto a esperar,

mas você sabe - sempre soube - mergulhar nos meus olhos,

encontrar meu espírito, conversar com meus pensamentos

e extrair de mim aquela que sempre serei para você.

Estou sentada ao seu lado, olhando para a arena da vida.

Aqui tudo é paz, tranqüilidade, desejo, querer,

você vê, você sabe, mais nada a dizer.

Ariane



 Escrito por Ariane às 14h05
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Tempo

Eu sei que as coisas são difíceis. Sufocantes, muitas vezes. Lidar com pessoas que já trilharam a maior parte do caminho de suas vidas, que estão chegando ao final dele sem a lucidez que ainda temos, não é fácil. É tarefa ingrata, mas temos que desempenhá-la. Ingrata porque dói demais ver no que nossos entes queridos vão se transformando com a chegada da idade. Alguns têm sorte. Chegam ao fim enfraquecidos em suas carnes porém com a mente lúcida, com o espírito brilhando e de repente esse brilho se apaga. Outros, a maioria talvez, acabam se transformando numa pálida imagem do que já foram. Agem de forma que nos deixam ora perplexos, ora nervosos, ora tristes, ora nos fazendo rir de seus atos, como se crianças fossem novamente. Temos nossas opções na hora de cuidar deles.Se for com um sorriso nos lábios, será assim que nossos filhos farão conosco, quando estivermos nós no fim dessa estrada. Fim que se aproxima a galope, sabemos. Se, ao contrário, nosso tempo não for suficiente para cuidar deles, se nossa paciência não suportar, se nos transformarmos em carrascos daqueles que dependem hoje de nós, como nós dependemos tanto deles... Não sei. Não sei como será conosco. E não apenas pensando no nosso futuro é que devemos tratá-los com amor. Devemos isso a eles. Devemos a nós. Se bem que o amor não deve ser ligado ao verbo dever  e sim a querer. Querer o melhor para eles. Querer vê-los bem. Querer fazer o possível, e o impossível também, para que percorram confortavelmente esses últimos passos do caminho. Somos pessoas como outras quaisquer. Sentimentos existem, o que conta são aqueles que escolhemos mostrar para as pessoas que amamos.

Muitas vezes fazemos coisas que nos arrependemos mais tarde. Então, pedimos desculpas. O que são desculpas? De que adianta um pedido de desculpas? Ele resolve tudo? Arruma tudo? Desculpas são modos que criamos para não matar sentimentos nobres obscurecidos por fantasmas que insistem em nos visitar a cada hora, cada momento. Nossas atitudes são regradas por nossos medos e angústias, parecidos com os medos e angústias de todas as outras pessoas que nos rodeiam. O que difere uns e outros é a forma como isso tudo é externado. Se de forma ácida, impaciente, irada, ou se a doçura é a forma escolhida para tratar os problemas.

Os nossos pais, avós, parentes são algumas das nossas responsabilidades como já fomos responsabilidades deles um dia. Dinheiro, trabalho, coisas e bens são importantes mas o colo, o bem querer, o calor, o carinho, o cuidado,  não é possível obter de forma tão honesta e sincera a não ser através da troca.

Ariane

[Republicação - Publicado em 19/04/2004]



 Escrito por Ariane às 16h20
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
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