Retalhos e Pensamentos


Laços

Somos unos e somos mundo

ligados por fios invisíveis,

atados ao divino,

ao desconhecido amanhã.

Fardos imensos carregamos

em ombros feridos,

em braços cansados,

em olhares baços e apagados,

mas uma carícia,

um movimento, um pensamento,

nos atinge num átimo

e são capazes de transformar

nossos fantasmas em amigos,

nossos amigos em mel,

nosso mel em ambrosia

para alimentar as almas sedentas

de todos os deuses que nos circundam,

e, num moto-perpétuo de humanidade,

se fartam e se deixam consumir

na poesia, na felicidade e na alegria.

 

Quero deixar aqui consignado meu carinho a todos vocês que estão me acompanhando neste momento. Solidariedade é isto e acredito que ela faz um bem imenso, tanto para quem a recebe quanto para quem a pratica. Então, não cabe agradecimento mas, sim, o sentimento de alegria compartilhada. Sentir o calor de vocês, mesmo através da tela fria de um computador, é algo indescritível. Meu pai não está como eu gostaria, mas apresenta melhoras, está consciente e nos reconhecendo. Agora, é um novo passo a cada dia. Meu beijo a todos. Ariane.



 Escrito por Ariane às 21h45
[   ] [ envie esta mensagem ]




...

O sopro da brisa estufa as

diáfanas gazes que enfeitam caixilhos,

provoca movimentos em ondas,

em revoluteios e fúria, conforme

a intensidade do vento aumenta.

Assim está o coração,

com seus movimentos rítmicos alterados,

assustados e em compasso.

De espera.

Na escada, sentada, permaneço.

Consciência minha envolvida na

sua inconsciência,

dor sua fazendo minha dor,

mente brilhante, doce, bendita,

abençoada eu por estar nela inserida,

amada, cuidada e querida.

Aflita.

Curvada ao destino,

rosto na terra, só resta o pedido:

Pai, olha o meu pai.

Ariane



 Escrito por Ariane às 11h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




Mudança de hábito

Nestes últimos dias venho brincando que quero mudar. Não quero mudar o que sou, gosto de mim. Quero mudar o que faço. Quero mudar atitudes. Por quê? Ora, quantas vezes nos pegamos dizendo: nunca mais! Por isto. Para nunca mais cometer os erros que já cometi. As sandices que falei. As atitudes que não tomei. Sei que é impossível. Posso não cometê-los nunca mais. Aqueles. Cometerei outros, é certo. Não sou perfeita, não sou santa e não sou melhor do que ninguém. Mas, também, não sou pior. É aí que reside a vontade de mudanças. Por que temos a propensão de achar que há outros melhores que nós? Vemos, em todo momento, pessoas que admiramos confessando-se incapazes disto ou daquilo. Até mesmo de coisas que apostaríamos que são capazes, sim. Não sei em que ponto do caminho alguém, ou nós mesmos, nos convenceu que não podemos, que não temos a capacidade. Temos e sempre teremos. Temos hábitos, e quanto mais o tempo passa, mais hábitos adquirimos. São esses hábitos que são passíveis de mudanças. São eles que nos mostram frente às outras pessoas. São eles que nos transformam em quase robôs, em autômatos. Quantas vezes nos pegamos fazendo coisas por puro costume? Até mesmo beijar as pessoas queridas. Hora de mudar. Hora de começar a sentir cada coisinha, cada ato, cada vontade, cada sopro e suspiro ao nosso lado. Hora de prestar atenção. É nisso que preciso mudar. Sair da toca, a minha toca, tão inexpugnável que até eu estou fora dela, algumas vezes. Está tão repleta de hábitos que quem não está cabendo sou eu. A vida é um presente, preciso aprender a desfrutá-lo.

 

P.S.: Meu pai teve um AVC hoje. Está na UTI.  Um dos meus hábitos é guardar minhas coisas comigo, porém, sei que gosto de ter vocês a meu lado, mesmo que seja apenas em pensamentos. Agradeço à Loba o empurrão para que eu pudesse falar sobre isso. Beijos a todos.

Ariane

 Escrito por Ariane às 18h21
[   ] [ envie esta mensagem ]




Poder

Palavras, sempre elas,

que acertam, consolam,

erram alvos, machucam.

Saem aos borbotões, resmungadas,

sussurradas, límpidas,

verdadeiras, mentirosas.

Trazem alentos ou dores,

esperanças, temores.

Confundem.

Palavras que saem da boca,

longe do coração,

instigam e criam fé,

vazias estas, inválidas.

Melhor não usá-las,

quando não têm o que dizer.

Melhor guardá-las

dentro da indignidade e covardia.

Quando preciosas,

são faladas no silêncio,

são cantadas na música inaudível,

são vistas em olhos profundos,

são sentidas nas atitudes,

transformam nosso mundo.

Ariane



 Escrito por Ariane às 12h42
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
Histórico
  Ver mensagens anteriores

Outros sites
  Aldinha - Grécia
  Alê
  Álvaro
  Anne
  Cal
  Che - Angel of Silence
  Cherry
  digressiva maria
  Dira Vieira
  Dora Vilela
  Dora Vilela - Novo
  Geórgia
  Graças
  Jeanete
  Ju - Medo de Avião
  Julia
  Kyra
  Loba
  Manoel
  Márcia - Lendo e Sonhando
  Maria-Suécia
  Mariela
  Mirian
  Nefertari
  Nel Meirelles
  Nonato
  Nora
  Régis
  
  Sem pé nem cabeça
  Sérgio
  Sonia
  Val
  Vinha
  Dácio
  Elza
  Bené
  Lia
  Miguxinha
  Leiluka
  Tânia Barros
  Antoniel Campos
  Marcia Maia - Tábua de Marés
  Marcia Maia - Mudança de Ventos
  Benno
  Adélia
  Passeando no Parque
  
  Menina Poesia
  Paula Barros
  Francisco Sobreira
  Lela
Votação
  Dê uma nota para meu blog





O que é isto?