Retalhos e Pensamentos


Surpresas

A vida é feita de surpresas, boas ou más, em sucessão ou alternâncias, constâncias ou inconstâncias, desejadas ou repelidas, não importam desejos, sonhos, trabalhos, realizações, elas vêm. Há surpresas que chegam de forma tão revolucionária em algum compartimento da nossa vida que não percebemos que está mexendo com todos os nossos cantinhos, nossos guardados e com tudo o que pensamos já estar estabelecido e sedimentado. Deixando de lado aquelas surpresas provocadas por fatos alheios a nossa vontade, andei refletindo sobre aquelas que, indiretamente, produzimos através das nossas escolhas e, dentre elas, aquelas que se referem às pessoas com que resolvemos nos relacionar. Faz parte da nossa natureza o instinto de preservação, de sobrevivência e, querendo ou não, nossos pensamentos e alguns atos, são dirigidos por este instinto. Alguns são facilmente identificáveis, outros nem tanto, e reagimos a fatos e atitudes primeiro por instinto e depois, usando de nosso intelecto, através de ações as quais carregamos de juízos de valores para que possamos decidir quais as mais acertadas para a ocasião. Talvez por isto, para um mesmo acontecimento cada pessoa tem uma reação única e passível de incompreensão por parte de todas as outras. Então lançamos mão de todas as regras sociais que aprendemos e que sabemos ser imprescindíveis para nossa inclusão na sociedade a que pertencemos e vamos criando máscaras e padrões de comportamento que sabemos aceitáveis naquele grupo. Para fazer essa identificação usamos dos conceitos já arraigados dentro de nós, alguns positivos, outros negativos, os tão mal-vistos preconceitos. Acredito que todos nós, sem exceção, somos portadores deste preconceito. Não estou me referindo àquele tipo de preconceito coletivo em relação a um grupo ou outro. Falo daquele pessoal que cada um carrega dentro de si. A palavra ficou tão estigmatizada por seu aspecto e exteriorização violentos e radicais que acabamos por esquecer que ele existe em todas as formas, até mesmo para nos ajudar a testar nossos valores e posicionamentos. Sabemos que enfiar o dedo na tomada dá choque, sem precisar fazer isso. Sabemos que a água molha, o fogo queima e a mentira dói. Sabemos que queremos nos relacionar com A, mas não com B, por motivos que estão dentro de nós. Por comportamentos de A ou B que encaixam, ou não, em nossos padrões, ou seja, em nossos conceitos. É um mecanismo desenvolvido por nós desde o momento que nascemos e que vai se sofisticando no desenrolar da nossa vida. Por isto, quando encontramos pessoas que estão dentro do nosso “padrão mental” de conceitos sentimo-nos confortáveis e seguros. Quando, ao reverso, estão fora deste nosso “padrão” ficamos com todos os sentidos em alerta prontos a repelir o perigo que representa a nós. Geralmente acertamos, mas freqüentemente erramos. Há mais no mundo do que nossos padrões, criados por nós e por toda nossa trajetória de vida e quando menos percebemos nos deparamos com pessoas que são as surpresas de que falo no início. Pessoas que não se encaixam em nossos conceitos, pessoas que, devagar e sem ter noção disso, vão modificando nossas posturas e mudando paradigmas. Há a contrapartida também: aqueles de que nos aproximamos e depois descobrimos que queremos a maior distância possível. Conceitos, pré-conceitos e surpresas encadeados e que se transformam em novos conceitos. E assim vamos seguindo o velho ditado ao qual acrescento algo: vivendo, aprendendo e nos surpreendendo. Ainda bem!

Ariane



 Escrito por Ariane às 12h23
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Vontade

Estou cansada,

não é sono,

só queria dormir meus pensamentos.

Ariane



 Escrito por Ariane às 16h55
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Ela chegou toda tímida. Já tinha visto seus sinais aqui e ali, mas nunca trocamos mais que um boa-noite distraído. Um dia cansei de ficar pela Net e o blog pareceu uma boa alternativa. Ela vinha, lia e comentava. Cheia de pudores, não fazia comentários no blog e sim por e-mail. Então, começamos a trocar e-mails e fomos descobrindo que nossas vidas tão diferentes, no fundo foram muito, muito parecidas. A idade? Quase a mesma. Filhos, irmãos, pais, casamento, estudos semelhantes, e um amor em comum : a leitura. Com o tempo fomos descobrindo os pontos convergentes, as diferenças, os pensamentos, modos de ser, sentir e agir. O respeito é recíproco, imenso. Tudo nessa moça é delicado, começando pelo tamanho, mignon, até mesmo a língua estrangeira que escolheu para aprender: o francês. Delicada, mas não frágil. É uma leoa na defesa da sua casa, sua família, seu amado marido. Sei disso tudo porque tive a oportunidade de conhecê-los. Num dia o encontro foi marcado e pela primeira vez nos encontramos. Primeira vez?  Parecia que já nos conhecíamos de anos e anos. Não houve pausas. Não houve aqueles momentos em que ficamos tateando o desconhecido sem saber o que dizer. Parecia que tínhamos retomado algo que sempre existiu. Méritos dela e de seu jeito espontâneo e alegre de ser. Eu me confesso tímida demais e calada em ambientes desconhecidos, quase casmurra. Ela vai contestar, claro. Afinal, falei sem parar naquele encontro. Mandava seus textos para eu ler, perguntando a minha opinião. Eu, deliciada com aqueles poemas maravilhosos, encasquetada com o fato dela estar esperando o meu gostar ou não.  Fiz um trabalho de formiguinha, até convencê-la a postar o primeiro, o segundo. Postava e logo se arrependia, já falava em desistir porque achava que ninguém a estava lendo, e, se estivessem, por certo ninguém estaria gostando. Eu ria. Claro que todos vão gostar. Quem não gosta de coisa boa demais? Devagar foi sendo descoberta por todos vocês, e estou certa que é amada por todos. Seus comentários espertos e saborosos são esperados por muitos. Teria muito mais a dizer dessa pessoinha linda que ela é, mas hoje, espero que se juntem a mim no abraço carinhoso e no beijo especial que ela merece: Feliz Aniversário, Dora!!

 

P.S.: Demorei para escolher a imagem. Pensei num bolo, em velas, em sorrisos, depois em flores. Então, pensei em rosas vermelhas, mas desisti. As flores do campo a representam melhor, no que têm de multicores e alegria.



 Escrito por Ariane às 10h10
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Descaminhos

Enquanto o tempo passa, segue vida,

calada, estática, em compasso de espera.

Compreensão dos porquês num vasto e

insano mundo sem perguntas.

Respostas vãs em caminhos tortuosos,

onde há pausas e recomeços,

tropeços.

Nada querer, nada pedir, nada saber,

negação do sentido e do verbo,

intuição desmedida atada em gritos silenciosos.

Sonhos transformados em pesadelos

repletos de sentidos e premonições,

juízos e insanidades.

Pausa para viver, sem ver,

simplesmente, respirar, aceitar e

acreditar.

Enquanto o tempo passa, segue vida...

Ariane



 Escrito por Ariane às 21h33
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
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