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Ilusão

Sou névoa atravessada por raios,
pelo teu querer descortinada,
embalada em sombras e desvios.
Não prevês meus atos,
só o que tens são retratos
inconclusos, incompletos, indefiníveis,
do ser repleto de nada,
do nada repleto de ti.
Ariane
Escrito por Ariane às 18h23
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Imaginário

Quero um homem
Que me saiba o controle
Que conheça meus limites
Que me diga olá
Que silêncio não faça
Que não diga nada
Que pense junto comigo
Que me dê o que não sei
Que fale o que sente
Que se mostre menino
Que não seja de repentes
Que a mim venha presente
Quero um homem
Que esteja ao meu lado
Que não ande colado
Que me beije e abrace
Que não saia calado
Que me olhe nos olhos
Que me faça mulher
Que não se baste
Que me complete
Que seja universo
Que me mostre o céu
Que conheça o inferno
Quero um homem
Que me seja fiel
Que já tenha amado
Que eu lhe seja aconchego
Que me queira, ansiado
Que me tenha cativa
Que se faça liberto
Que não seja certo
Que preencha o deserto
Que sem pensar nada mais
Que se sinta a meu lado Inteiro, sozinho jamais
Escrito por Ariane às 00h37
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Retratos

Te gosto inconcluso,
te prefiro perene.
Te quero eterno,
mas te sei passadiço.
Te coloco ao meu lado,
mas caminho te olhando,
ora adiante, ora atrás.
Aguardo no passo,
acertado, cadência dual,
não espero seu tempo.
Sou desigual.
Ora de um jeito, ora de outro,
te deixo maluco, sem norte a seguir,
sou mera aprendiz de rosa dos ventos.
Estes, sedentos
de ti, teu cheiro, teu jeito.
Teu modo de ser.
Se tem a dizer,
vá...
não sei de você.
Não diga nada.
Da sua boca errante quero
ouvir, ansiada, minha
amada.
Ariane
Escrito por Ariane às 21h25
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Marcas

Marcas do que fui
me fazem o que hoje sou.
Rasas ou profundas,
não têm medida de dor.
Alegrias ou tristezas
se fazem em expressões,
se choro não posso ver,
sorrisos não sei pra quem dou.
São coisas minhas,
e não vejo,
só sinto e sempre comigo,
não há como alguém saber,
apenas sei e não digo.
Ariane
Escrito por Ariane às 23h04
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Tentativa

Palavras vindas do cismar
a abalar conceitos,
trejeitos criados, cortados,
deixados com a fala ao vento,
relento da madrugada,
cansada, falar e não dizer nada
e nada mais há lá dentro,
vertendo lágrimas de dor.
Amor, sentido vital
igual não existe,
desiste, não pensa,
tenta explicar o jeito,
defeito de quem não cala.
Abala pensamentos,
lamentos de aprendiz de versos
conexos ao fio da rima.
Anima, e memória lhe vem,
mantém a premissa inicial:
final não pode haver.
Querer e não poder
esquecer toda história,
a memória de uma saudade,
vontade forte da alma
que acalma, e diz:
feliz, de volta ao início-fim.
Ariane
Escrito por Ariane às 12h56
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