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Fusão

Em mim estou.
Pensamentos vários, que me atiçam e prendem,
não sou uma, nem outra,
sou aquilo que vêem, que sentem,
não sou mais, nem menos,
mas a medida exata de meu ser.
Há mais coisas em mim
do que as que eu própria possa ter noção.
São metades inteiras
que se unem às suas inteiras metades
e nos fazem unos, duais,
iguais e diferentes, fusão.
Retratos-falados, calados,
profundezas veladas,
espelhos irreflexos, indeterminados,
como de uma laranja, os gomos.
Somos juntos terceiro e quarto.
Eu sou, tu és, nós somos.
Ariane
Escrito por Ariane às 18h25
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Quem é você?

Quem é essa pessoa que vem e me chama,
que a mim procura, vezes e mais vezes,
que fala comigo, conhece meus dias e noites,
minhas horas e meus enganos?
Quem é você, que se preocupa comigo
na medida do que te interessa,
no contar dos teus desejos
na soma das tuas atribulações?
Quem é você, que tem seus dias e horas
prenhes em afazeres, vidas, obrigações e lazeres?
Quem você pensa que é,
para vir, chegar e tentar ficar?
Digo quem é você.
Você é nada. Você é ninguém.
Deixe-me em paz.
Ariane
P.S.: Gostaria de recomendar a todos os que gostam da verdadeira poesia para que visitem o Retalhos Amigos: http://retalhosamigos.zip.net , lá há uma série de poesias da Dora Vilela, que considero imperdíveis.
Escrito por Ariane às 19h37
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Indolência

Sem vontade, hoje. Um daqueles dias que tiro pra pensar em nada. Parece fácil, mas é mais difícil fazer isso que quando me proponho a pensar em algo. Esvaziar a mente e não pensar em nada é um exercício a que me dedico às vezes. Penso em um milhão de coisas enquanto faço isso, mas são coisas ordenadas, que quero pensar. Pensamentos outros se intrometem e os coloco de lado, quietos e silenciosos. Alguns gritam, esperneiam, mas não lhes dou ouvidos. Tipo filho quando se joga no meio do corredor do shopping, berrando a plenos pulmões. Pode ficar lá, gritar, chorar, revolucionar. Não volto atrás. Se quiser, é melhor levantar correndo e me seguir porque senão vai se perder de mim. É claro que eu fico atenta, ando fazendo de conta que não estou vendo a figurinha se debatendo no chão, mas vejo. Com meus pensamentos faço o mesmo. Faço de conta que não estão aqui, não lhes dou atenção. Não sei bem o objetivo disso. Talvez instinto de preservação dos meus pobres e judiados neurônios. Talvez instinto de preservação física, emocional, psíquica. Sei lá. Não me importa muito o porquê. Dias de indolência, preguiça. Acho que necessários porque pensamentos demais congestionam, misturam-se e acabam por nos levar a juízos equivocados. Enfim, é isso. Dias de pit-stop para lavagem da alma.
Ariane
Escrito por Ariane às 17h14
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Certezas

Das verdades que aprendi, poucas restam.
Outras vieram.
Certezas que hoje sei incertas.
O escoar do tempo trouxe marcas invisíveis,
ásperas e profundas.
Estigmas de pensamentos penetrantes ou vazios
marcam em brasa o saber errante.
Impressões do cismar, diversas das temporais
que sulcam minha face e menos doem.
Restos de mim, sobras de pensamentos vãos,
aprendo hoje o que esqueço amanhã.
Em obstinada constância
esqueço o que sei,
para reaprender verdades absolutas.
Dia após dia.
Ariane
Escrito por Ariane às 13h11
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Condição

Presa, queria a liberdade.
Quando livre, indagação:
pra quê?
Nascida em cativeiro, a alma aspira.
Quando livre, deseja.
Quando presa, almeja.
Objetivo alcançado, vida nas mãos,
desejos concretizados.
Sonhos desfeitos e de novo sonhados.
O que quer? À alma, a pergunta.
Solidão, conluio, amor, desafio.
Um grito no vazio.
Ariane
Escrito por Ariane às 17h13
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