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Inverno

Ela estava vivendo no inverno. Inverno da alma, numa hibernação que, se não era boa, pelo menos não a deixava sentir. Bendizia o estado letárgico em que se havia colocado após tempestades e borrascas que viera enfrentando por longos anos. Vivia de forma automática, sem alternâncias, sem cores, perfumes, sensações. Respirava e fazia o que devia ser feito. Era bom, não lhe afetava a falta de cirandas e montanhas-russas. Quando alguma inquietação ameaçava instalar-se, dedicava-se mais e mais às obrigações cotidianas, aos lazeres vazios de significados. A vida ia passando e ela caminhava alheia a tudo. Estava lá, corpo presente, sorrindo na hora certa, participando de tudo, aparecendo e sendo vista por todos. Aquela casca era ela, mas ela apenas a vestia. Não estava lá. Estava em algum lugar criado especialmente para adormecer. E dormia. Existiram tentativas de acordá-la, muitos tentaram, sacudiram-na, fizeram com que se movimentasse e cores pálidas começassem a tingir suas faces, mas logo o vento gélido do inverno inibia essas tentativas e ela voltava a seu sono apático e confortável. Esperava. Esperava o sopro quente que lhe instilaria vida e calor. Já tinha vivido o pesadelo. Estava vivendo o nada. Esperava o sonho. Não sabia se haveria tempo de sonhar.
Ariane
Escrito por Ariane às 14h56
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Auto-retrato

Sou Ariane, radical
Ela, Geórgia, chic.
Sou virgem, ela leão.
Vivo enlaçada em códigos e regras
Ela, alma de artista, longe do chão.
Em comum? Um blog
Sucesso, não é? Ele é tão lindo
Embalado nos braços
Cuidados dobrados
Quem sabe, infindo?
Nada além, retrato incerto
Amigas de plagas chateanas
E por que não dizer? Balzaquianas
Bonitas? Demais.
Almas limpas, peito aberto.
Ariane
Escrito por Ariane às 23h27
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Polifonia

Obscurecidos
Vazios os sentimentos
Conduzindo vidas
Entre ais e lamentos
Rutilantes
Sóis dos sentidos
Conduzindo essências
Entre sussurros e gemidos
Contrapontos
Divergente e igual
Emoções e sensações
Alma dual
Ariane
Escrito por ariane às 12h26
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Prosas e versos

Não teve jeito. Aquele cansaço que eu vinha sentindo resolveu aprontar das dele e aqui estou, em casa, com uma gripe rediviva e sintomas de estresse que devo cuidar. As férias sonhadas com pés na areia estão sendo cumpridas no meu quarto, da cama para o PC e deste de volta pra cama. Coisa chata, mas eu estava merecendo este puxão de orelhas da minha saúde. Enfim, nunca tudo é tão ruim, não é mesmo? Senhora das longas horas do dia e da noite, uso-as para passear por este mundo encantado dos Blogs e aproveito o passeio para entrar em contato com letras e mais letras lindas que me deixam fascinada ao constatar o número de pessoas que sabem escrever, transmitir sensações, conhecimentos, idéias, convencimentos e versos, ah, os versos.
Sempre me achei imune a eles. Nunca deixei de lê-los, numa eterna contradição entre pensar e agir. Talvez, aquela obrigação com a leitura de antologias na época escolar tenha produzido o efeito de contrapor meu espírito combativo ao gosto pela poesia, mas nunca é tarde e acabei por render-me aos encantos dos versos. O mundo dos Blogs é rico em poetas de todos os quilates e vou passeando por eles, bebendo versos e me apoderando descaradamente de alguns para, baseada neles, perpetrar meus primários poeminhas.
Acabo por rir, me emocionar, viajar, conhecer e seguir pelos caminhos percorridos por todos os que postam nesses poucos, reconheço, Blogs que visito constantemente. Fico pensando até quando irão permanecer, uma vez que a Internet é um meio dinâmico e em constante mutação, depois, penso que são pessoas que estão por trás desses endereços eletrônicos e havendo mudanças ou não, a necessidade de comunicar-se que todas expressam através desses meios irá sempre ter um canal de vazão.Acho também que, tenha o nome que tiver, este é um movimento que veio para ficar. Ainda bem.
Ariane
Escrito por Ariane às 15h59
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Embriagada

Quero-te homem, te bebo em um só gole.
Embriago-me.
Sinto a ti, me tens. Explore meu corpo,
Faz de mim seu poema.
Ariane
[pra variar, inspirei-me num poema do Benno: http://noitesemclaro.zip.net/ ]
Escrito por Ariane às 11h51
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Você
[imagem: marialena grolli]
Teus olhos são mares
Límpidos, profundos.
Convidam.
Neles mergulho a alma,
Enfeitiçada.
Teus braços são portos
Seguros e firmes.
Abertos.
Neles descanso o corpo,
Ardente.
Tua boca é gruta
Terna e doce.
Abriga.
Nela bebo versos,
Aprisionada.
Teu corpo é morada,
Depósito de amor.
Esconderijo.
Nele me escondo,
Realizo.
Você inteiro é poesia
É desejo.
Paixão.
Mundo fascinante,
Encantou-me, conquistou.
Ariane
Escrito por Ariane às 14h04
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Lugar-comum

Vivo um dia-a-dia em que julgar faz parte da rotina. Julgamentos que afetam a vida das pessoas de forma, muitas vezes, irremediável. Casos há em que um erro de julgamento modifica tanto as vidas envolvidas que me faz ficar pensando na crueldade que é não poder, não ter como, provar sua razão.
Isso tudo, afinal, faz parte. Estamos aqui e vivemos em sociedade. Regras existem e temos que cumpri-las, mesmo quando elas nos desfavoreçam a ponto de alterar de forma, muitas vezes definitiva, nossas vidas. Mas, além desse tipo de julgamentos, há outros que não têm razão de existir. Não há porquê. Não há para quê. São aqueles a que estamos submetidos e dos quais não conhecemos as regras. São aqueles julgamentos morais que todos se acham no direito de perpetrarem. São aqueles que dão “direito” aos amores, amigos, filhos, parentes, apontarem o dedo em nossa direção e dizerem taxativos: ¾ Você não deve fazer isto, ou, ¾ Você não pode fazer aquilo. Quem poderá dizer que nunca foi julgado? Quem já passou incólume por esta vida, sem que nenhum dedo tenha sido apontado em sua direção? Aí, é o momento de parar para pensar. Minha caixa postal vive entupida de mensagens que ensinam a viver. Mensagens descrevendo o melhor amor. O melhor amigo. Como ser feliz. O que fazer para agradar as pessoas. Como acordar. Como deitar. Como levantar. Há mensagens ensinando tudo, enviadas por pessoas que, presumivelmente, querem nosso bem e querem que aprendamos, como eles aprenderam, a viver melhor. Aprenderam? Aprendemos? Que nada. Há mensagens que abrimos, lemos e enviamos para outros amigos. Outras, simplesmente apagamos e lá se foi para a lixeira uma mensagem que nos ensinaria a ser melhores. Será que seremos melhores após ler uma mensagem? Será que alguém falando, escrevendo ou ensinando fará de nós pessoas melhores? Por experiência ou intuição, sei o que nos faz melhores. Amar. Amar muito. Amar sempre. É lugar-comum dizer isso, mas apenas quem está com o coração repleto de amor por alguém, preocupa-se em fazer deste mundo um lugar melhor, de seu corpo um receptáculo de emoções e de suas ações braços estendidos para ajudar. Sem julgamentos.
Ariane
Escrito por Ariane às 09h50
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