Retalhos e Pensamentos


Diálogo

Muito se fala em amores impossíveis. Em prosa e verso, comédia e tragédia, seguimos rindo e sofrendo com esses amores. Nunca acreditei em amores impossíveis, isto é, nunca acreditei na impossibilidade do amor. O que existe é a impossibilidade de concretizar alguns amores. A impossibilidade física ou moral. Essa é a que faz sofrer e que gera milhões de letras e lágrimas.

Antes da paixão, do tesão, da conjunção, o amor exige comunhão. Sem essa identidade de mentes, de pensamentos, de sentimentos, não há como se falar em amor. E se essa comunhão existe, não há como se falar em amor impossível. Ele existe. É fato.

Somente quando sentimentos são racionalizados, é que as impossibilidades são pensadas, porque queremos dar explicações e soluções aos desejos gerados por eles. Amar independe de racionalizar. De possibilidades. É sentimento, é comunhão, é identidade.

 

A mente, indagadora, atenta às letras,

O coração, imprudente, atento aos versos.

 

Cale-se, insensato, vem a ordem,

Louco coração, o que pensa estar fazendo?

 

Descuidado e feliz, responde o moço:

Não penso, estou vivo e sentindo,

Estou batendo.

  

[Escrevi este texto depois de ler a linda poesia da Ale: http://simplesmentealegria.zip.net/  ]

 Ariane



 Escrito por Ariane às 23h03
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Desejo de querer

Queria saber vestir-me de estrelas, para refletir luzes e brilhos;

Queria entender de corações aveludados e borboletas saindo pela boca;

Queria saber escrever com figuras e povoar imaginações.

 

Queria ser capaz de amar incondicionalmente;

Fugir da minha natureza, humana e terrível;

Queria cantar e que da minha boca saíssem sons celestiais.

 

Queria falar e que minha voz fosse como carícia aos ouvidos alheios;

Que meus atos fossem dirigidos pela boa-vontade,

Mas, mais que ela, pela caridade despida de qualquer interesse.

 

Queria saber ofertar a paz, não ao mundo, mas para as pessoas;

Queria saber disseminar o entendimento, não das ações, mas dos sentimentos;

Queria fazer do meu mundo, um mundo inteiro que fosse eu.

 

Eu queria saber fazer tudo isso e, principalmente,

Queria saber gostar de mim, mas enquanto não posso nada disso,

Quero apenas aprender a me deixar amar.

Ariane



 Escrito por Ariane às 19h02
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Conto de fadas

Nasceram no mesmo dia, cresceram juntos na mesma cidade, amigos, companheiros. Quando chegaram àquela idade linda, em que todos os sonhos são rosa, fizeram uma promessa. Iriam viver juntos pelo resto de suas vidas. Ele rico. Ela pobre. Ele, filho do industrial cuja indústria movimentava a cidade. Ela, filha de um dos operários. Isso nunca teve importância para eles. Eram amigos, estavam apaixonados, nada sabiam da vida, a única coisa que conheciam era aquele sentimento que ia crescendo no peito, cada vez maior, cada vez mais forte, cada vez mais urgente.

Os anos foram passando e nada havia que os fizesse largar um da companhia do outro. Até o dia em que o pai dela, não se sabe porque, talvez por conta de uma decisão “desinteressada” do pai dele, perdeu o emprego. Não havia mais o que fazer naquela cidade. Ajeitaram-se como puderam em cima do caminhão de mudança e toda a família partiu para a cidade grande. Ninguém se incomodou com o choro da garota. Estavam preocupados com o pão. O coração poderia ser cuidado depois. A vida foi seguindo, ele lá, ela cá, e as cartas trocadas quase diariamente não os deixava esquecerem a promessa que fizeram de estarem sempre juntos. Ela entrou na faculdade, formou-se, começou a trabalhar e juntar dinheiro para a viagem de volta. Ele, preso aos compromissos assumidos perante a empresa. O pai tinha morrido e todo o seu tempo era tomado pelo sem-número de obrigações resultantes da manutenção da empresa e, por via dela, da própria cidade. Ela, finalmente, voltou. Encontram-se, olhos no olhos, abraços, lágrimas e o desejo de estar onde sempre souberam que deveriam estar. Um nos braços do outro. E assim ficaram, por alguns anos. Quando lhes perguntavam quando iriam se casar, olhavam um para o outro e riam: Casar para quê? Nós nos amamos e sempre vamos estar juntos. Não precisamos de um papel para sacramentar nossa união.

Semana passada foi a audiência: pedido de pensão alimentícia para o filho deles. Ela morando na cidade grande, com o filho. Ele, industrial poderoso na mesma cidadezinha onde tudo começou. O amor? Que amor? Foi pelos ares. O filho? Ora, ela que corra atrás da comida para o filho. Ela não o quis? Não arruinou a vida deles com essa mania de querer filho? Conto de fadas moderno.

Ariane



 Escrito por Ariane às 16h26
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Há muitas pessoas que mandam e-mail para meu endereço de uso normal.

Estou criando este, ligado ao blog, para facilitar a identificação das mensagens que chegam.

Este é meu [Ariane] e não sei se a Geórgia fará o mesmo.

Enfim, o endereço está abaixo e quero aproveitar para expressar minha surpresa, e também alegria, com o número de acessos ao nosso blog. Confesso que esperava visitas, mas o número superou qualquer expectativa. Obrigada a todos e beijão.

retalhosariane@uol.com.br

Ariane



 Escrito por Ariane às 22h24
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