Retalhos e Pensamentos


Fugaz

Na inconstância das horas

A captura do momento.

Mágico.

 

No meneio da cabeça

A leviandade dos pensamentos.

Vagos.

 

No encontro, a urgência

Dos desejos insanos.

Errantes.

 

Da boca um grito

Do corpo, o gozo

Da alma, o lamento

Ariane



 Escrito por Ariane às 22h29
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Água de côco

Escrevi um texto dizendo do meu cansaço, da minha falta de vontade e da necessidade de férias. Um descanso. O corpo está pedindo dias de praia, areia sob os pés descalços, sol, água de côco, almoços diferentes daqueles diários, quando eles existem, cafés da manhã sentada na mesa de algum hotel agradável, onde eu possa ver o mar - ah, o mar! Existe algo mais belo que ele? - diferentes daqueles tomados diariamente, já na frente do computador, rápidos, apressados, engolidos e não saboreados. A pausa desejada, mais que descansar o corpo é necessária para descansar a mente, sempre em alerta, nas 24 horas do dia, na agenda, no toque do celular, nos prazos, horários, congestionamentos, ufa !!! Em verdade, escrevi aquele texto porque tinha a mente tão vazia e o corpo tão cansado, que soou mais como um desabafo, para mim. E foi o retorno a esse desabafo que me causou surpresa, me fez parar e pensar no quanto todos estamos cansados, no porquê desse cansaço tão grande. As pessoas identificaram-se com um texto em que eu apenas reclamei da vida. Da minha vida. Isso leva a crer que essa identificação se deu porque também estejam cansadas. Porque não estamos vivendo e sim passamos a vida fazendo. Deixamos de ser pessoas e viramos andróides. Não temos tempo de fazer nada além das obrigações. Até mesmo sair e se divertir, virou obrigação. Quantas vezes ouvimos: Aonde você vai hoje? O que vai fazer hoje? E, diante da resposta negativa, o assombro: Como não vai sair? Vai ficar em casa? Fazendo o quê? Ora, bolas, pipocas... não vou sair, vou ficar em casa, vou ficar fazendo nada, nada vezes nada, e depois vou fazer mais um pouco de nada!

Ariane



 Escrito por Ariane às 19h59
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Sei lá

Sem vontade de escrever.

Sem vontade de pensar.

Sem vontade de nada.

Cansei.

Cansei de escrever.

Cansei de pensar.

Cansei do nada.

Cansei do tudo.

Cansei de falar, de explicar, de justificar.

Cansei de trabalhar, de ajudar e de pagar.

Cansei de ficar aqui, de ficar em qualquer lugar.

Cansei, hoje.

Não sei amanhã.

Ariane



 Escrito por Ariane às 23h37
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Saudade

Saudade. Fala-se tanto em saudade. Sente-se tanta saudade. Da infância, dos momentos, dos que já se foram. Saudade sempre tem um sabor amargo daquilo que não é mais, mas um sabor doce, daquilo que nos faz recordar. Das coisas ruins, lembramos. Das coisas boas, temos saudade. Temos saudade até dos sonhos sonhados. Aqueles sonhos que tivemos e que, por um motivo ou outro, ficaram gravados em nossas lembranças. Não se concretizaram, nunca se tornaram realidade, mas volta e meia estão de novo vivos em nossa mente e nos trazem um sorriso aos lábios que um observador atento sabe identificar. Saudade identificada num sorriso. Numa expressão. Num aroma, numa música. Um ruído, um vento, gotas de chuva, um balançar de cortinas.  A figura de alguém na rua. O cheiro do pão recém assado. O barulho do mar. Os ruídos do amor. Tudo e nada. Não sabemos quando ela vai bater no peito, pedindo passagem. Não dá para prever quando ela vai chegar. Vem de mansinho, se instala, ora traz um sorriso aos lábios, ora lágrimas que correm soltas ou furtivas.

Ariane



 Escrito por Ariane às 00h06
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Esconde-esconde

Adeus, abortos, casulos, desejos, despedidas, vôos, liberdade. Falamos tanto nisso que corremos o risco de transformar sentimentos tão presentes em realidades prementes. Fazem parte, sim. Fazem parte da realidade de todos nós. Assim como as dores, as insatisfações, frustrações, incompreensões e tudo aquilo que nos deixa com a boca seca, peito apertado, melancólicos, semblantes anuviados. Dispensamos atenção a estes sentimentos como se, em determinado momento de nossas vidas, eles fossem os únicos possíveis. Não são, e sabemos disso. Todos os sentimentos são transitórios, por mais que pareçam eternos.Em verdade, tudo o que expressamos como sentimentos d’alma faz parte de algo maior a que não costumamos dar atenção. Faz parte daquilo que chamamos viver a vida. Temos tantos momentos bons, tantas alegrias diuturnas, tantas satisfações, gozos, alegrias, por que não falamos sobre eles? A resposta é simples: não falamos porque através deles as outras pessoas não se identificam conosco. Não falamos porque quando falamos de alegria, de satisfação, parecemos estar agredindo ou, pior, atraindo sentimentos não muito nobres para aquele nosso momento feliz. Quando mostramos fraquezas, obtemos solidariedade na dor, porém, e isso chega a ser instintivo, buscamos esconder alegrias, vitórias e satisfações para não corrermos o risco de atrair maldades. Claro que isso não é regra absoluta, claro que há os destemidos que desafiam e desnudam-se perante todos. Há um preço para esconder-se. Outro preço para mostrar-se. Outro ainda para viver sempre na sombra.

Ariane



 Escrito por Ariane às 17h26
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Efígie

Olhares transversos,

Capítulos incompletos

Na linguagem do corpo

 

Transparências escondidas

Sob o manto das palavras,

Esmaecida essência

 

Mulher mina

Mulher poço

Águas profundas

 

Inexplicável alma

Incompreensível pensamento

Insondável mulher

Ariane



 Escrito por Ariane às 22h07
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
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