Retalhos e Pensamentos


L x L

Estive lendo por aqui e por aí sobre o fato da semana. O episódio Lula x Larry. Sim, Lula x Larry porque não foi algo que tenha envolvido Brasil X Estados Unidos. Se há alguma tese conspiratória nesse meio só poderá ser confirmada através da análise de textos de pelo menos mais uma dúzia de jornais e não um jornal isolado. Por maior que seja ele. Notinha aqui, outra ali. Soquinhos no fígado [ops] do nosso presidente. Não consta nada disso. Não há campanha para desmoralizar Lula. Disso ele se incumbe soberbamente. E sozinho. Sozinho, porque a julgar por seus últimos atos, não houve ninguém aconselhando e se houve, ele fez questão de não ouvir. O que dá na mesma.

Lula reagiu à reportagem como se tivesse sido o Brasil a beber. Não foi o Brasil que bebeu. Não é o Brasil que bebe. E Lula bebe, sim. Nunca escondeu o fato, pelo contrário, sempre fez questão de parecer alguém “do povo” com um copo de pinga na mão. Sabemos, porém, que sua preferência é Logan. O mesmo, aliás, da preferência de Fernando Collor.

Não há porque condenar alguém pelo fato de gostar de um álcool turbinando o sangue. A maioria das pessoas já tomou pelo menos um porre na vida. O que faz pensar é o fato dele gostar de fazer isso com freqüência e não se sabe com que freqüência. Gostar de tomar um drinque ao final do dia, há muitos que gostam. Mas, qual a quantidade que se pode tomar a fim de manter a capacidade intelectual intacta? Impossível determinar, me parece. Cada um tem uma resistência própria. Não sei qual é a de Lula e, justamente por não ser possível a ninguém saber, há uma legalmente estabelecida para quem está dirigindo um veículo. Ela não foi estabelecida aleatoriamente, foi um índice fixado após estudos dos efeitos do álcool na média das pessoas. Se foi estabelecido por lei, é lei. E se é lei, deve ser cumprida. E se deve ser cumprida por todos, deve ser cumprida pelo dirigente máximo da Nação. Por aquele que jurou cumprir e zelar pela Constituição, nossa Lei Maior. Por aquele que foi eleito para conduzir o país. Talvez dirigir um país seja um pouco mais complexo que dirigir um veículo, mas exige a mesma concentração porque tanto quem dirige um veículo quanto quem dirige um país são responsáveis pela vida de outras pessoas que estejam no caminho, e pela sua própria. O que fez o jornalista? Apontou esse fato, com direito ou não, com informações precisas ou não, mas o fato é que despertou a atenção das pessoas para isso e estimulou a discussão. Lula reagiu como se as instituições tivessem sido maculadas. Não o foram pelo jornalista. Infelizmente foram maculadas, sim, mas pela pessoa que tem a obrigação de zelar por elas.

Qual é a saída para quem se sente agredido em sua idoneidade moral? Certamente não é fazer uso do poder de que está investido para, ao arrepio da nossa Constituição, e ele parece estar esquecido que estamos vivendo sob uma Constituição Democrática e não sob aquela de 1969 e do famigerado AI-5, expulsar alguém do país. Sem processo. Sem ouvir assessores. Sem pensar em mais nada. A uma agressão pessoal, reagiu como o maior dos ditadores. Brasil, ame-o ou deixe-o. Acredito que todos se lembrem desse bordão.

José Genoíno foi um dos que pegaram em armas para livrar o Brasil da ditadura militar. Agora parece querer instituir outro tipo de ditadura. Porque democracia é palavra que parece desconhecer. Basta ler suas declarações a respeito desse lamentável episódio.

Lula é o servidor máximo do país. Não cabe a ele apontar o dedo, a quem quer que seja, e expulsá-lo. Para isso temos mecanismos legais dos quais Lula deveria ter sido o primeiro a utilizar-se.

Ariane



 Escrito por Ariane às 15h46
[   ] [ envie esta mensagem ]




Encontro

Aquela manhã estava ensolarada e quente. Ela estava andando pela praça, distraída, olhando para tudo a sua volta. Não que estivesse olhando para o movimento. Caminhava como sempre fazia, olhando para cima, para o céu, para o alto dos edifícios da cidade, escondidos por horríveis placas de propaganda, letreiros de lojas. Não, isso ela não via. Olhava além deles, abstraia tudo o que era desagradável a vista e deliciava-se com a paisagem toda particular que criava com seu olhar. Seus pensamentos vagavam, lentos, dispersos, assim como ela estava andando, esquecida do resto do mundo, esquecida até mesmo de si. Não se sabia observada. Chegou a assustar quando sentiu o toque no braço. Um toque leve, quase uma carícia. Olhou para ele com olhos brilhantes, alegria estampada na face, como sempre ficava quando fazia sua caminhada pelo passado. Sim, porque caminhava olhando para tudo e imaginando outras pessoas, outros ares, outros tempos. O olhar brilhou mais ainda, sua expressão travestiu-se de luz. A boca abriu-se num sorriso tão espontâneo que o fez sorrir também. Onde estava? Ele perguntou, ainda sorrindo. Sonhando! Olhando para os prédios, olhando para o céu. Olhando toda essa beleza que está sempre ao nosso alcance, mas passamos distraídos e não a vemos. Uma onda de ternura apoderou-se dele. Sabia que a amava, sabia que era a mulher da sua vida. Só não sabia por que estava tão ligado a essa mulher. Então, sorriu novamente. Um sorriso satisfeito de quem descobre a resposta. Não havia porque, não precisava saber o porquê. Sabia apenas que era impossível deixar de amar alguém que brilha quando está sonhando e consegue brilhar mais ainda quando seu olhar encontra o dele.

Ariane

 



 Escrito por Ariane às 21h58
[   ] [ envie esta mensagem ]




Premissas

Dois burrinhos de carga faziam sempre o mesmo trajeto: da fazenda para a vila, da vila para a fazenda. Faziam tudo automaticamente, acostumados que estavam às viagens. Houve um dia que o trajeto mudou. Teriam que atravessar o rio com a carga no lombo. Um estava carregado de sal. A carga do outro era de esponjas. Foram andando pela estrada até chegar ao rio. O primeiro parou, observou o rio, a correnteza, mas seguiu seu destino certo que iria afogar-se ao tentar atravessar com todo aquele peso. Entrou no rio e para sua surpresa a carga foi ficando cada vez mais leve, o sal foi-se perdendo na água. Atravessou e chegou são, salvo e leve ao outro lado. O outro burrico, olhando aquilo, pensou: Se ele conseguiu, eu também consigo, chego do outro lado e ainda me livro da carga.  Entrou no rio, todo satisfeito, mas sua carga foi absorvendo água, foi ficando cada vez mais pesada e, pobrezinho, afogou-se.

Moral da história: De pensar, morreu o burro.

Meu pai sempre contava a epopéia dos burrinhos e me deixava agastada. Ora, quer dizer que morremos se pensarmos? Não me convencia disso.

Quanto mais eu pensava, menos entendia a moral dessa história. Até que um dia entendi: O burrinho pensou corretamente. O raciocínio dele foi preciso. O erro estava na premissa. Nos fatos. Ele não sabia que as cargas eram diferentes!!

Por que estou contando isso? Não sei. Talvez porque esteja cansada de ver as pessoas, eu inclusa, chegarem às mais brilhantes conclusões, exercitarem o raciocínio de forma perfeita, mas... partindo das premissas erradas.

Talvez o mais prudente seja ver, observar e não pensar, nada, antes de conhecer todas as premissas. Todos os fatos antecedentes. Enfim, acho que é isso.

Nem quero mais pensar, porque... de pensar, morreu o burro.

Ariane

 



 Escrito por Ariane às 22h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Contraste

intensa, colorida  e farta

no leito

apetitosa   

lhe sai pelos poros

brilho e viço

qual cio

de fera

atiçando chamas

em que o cativo

consome

Ariane

[Aqui está apenas um exercício inspirado pelo belíssimo poema publicado ontem pelo Benno. Recomendo a visita ao blog dele, delícia de ler]



 Escrito por Ariane às 16h11
[   ] [ envie esta mensagem ]




Medo

Basta pegar um jornal, ler uma revista semanal ou assistir o noticiário da televisão para perceber que o mundo está com medo. Medo da violência que explode em todas as partes. Medo de abrir portas e janelas. Medo de sair de casa. Medo até de atender ao telefone. Estamos vivendo uma época que não é diferente de outras, afinal a violência sempre existiu. A diferença, talvez, esteja na forma de exposição do medo. Na rapidez da notícia. Na possibilidade do contato visual com os acontecimentos. Ninguém esquece a imagem do avião explodindo uma das torres gêmeas. Ninguém vai esquecer um monte de imagens que, por um motivo ou outro, foram capturadas por câmeras que estavam no lugar certo, na hora certa. Mas não é nesse medo que penso agora. Minha rotina na Internet deve ser parecida com a de muitas outras pessoas. Entro na página principal do UOL e espio as manchetes. Entro em uma ou outra que chama minha atenção para, em seguida, entrar nos meus blogs favoritos e deleitar-me com a qualidade dos escritos que surpreendem os menos avisados. É nos blogs que percebo outro medo. Coisa rara ler algo sobre violência mundial. Coisa rara ler algo sobre política, segurança ou qualquer assunto correlato. O medo refletido nos textos é o medo da solidão. O medo do desamor. O medo da falta da paixão. Todos eles são pródigos em exaltar as alegrias e as dores da paixão. Descrever estados de alma. Poesias vindas de corações sedentos e cérebros privilegiados. Talentos anônimos para a grande maioria, mas não menos deliciosos. E o medo está lá, atrás de uma palavra, de um sentimento, de uma descrição. Somos reféns de nosso intelecto, de nossa vontade e de nossos desejos. Por maior que seja a violência externa, nós, seres essencialmente gregários, não nos conformamos apenas em viver com outras pessoas. Temos algo que nos faz desejar uma, apenas uma, para nós. E é daí que vem o medo. Maior esse que aquele outro que atenta contra nosso bem maior, que é a vida. Viver vazio dá mais medo.

Ariane



 Escrito por Ariane às 20h58
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
Histórico
  Ver mensagens anteriores

Outros sites
  Aldinha - Grécia
  Alê
  Álvaro
  Anne
  Cal
  Che - Angel of Silence
  Cherry
  digressiva maria
  Dira Vieira
  Dora Vilela
  Dora Vilela - Novo
  Geórgia
  Graças
  Jeanete
  Ju - Medo de Avião
  Julia
  Kyra
  Loba
  Manoel
  Márcia - Lendo e Sonhando
  Maria-Suécia
  Mariela
  Mirian
  Nefertari
  Nel Meirelles
  Nonato
  Nora
  Régis
  
  Sem pé nem cabeça
  Sérgio
  Sonia
  Val
  Vinha
  Dácio
  Elza
  Bené
  Lia
  Miguxinha
  Leiluka
  Tânia Barros
  Antoniel Campos
  Marcia Maia - Tábua de Marés
  Marcia Maia - Mudança de Ventos
  Benno
  Adélia
  Passeando no Parque
  
  Menina Poesia
  Paula Barros
  Francisco Sobreira
  Lela
Votação
  Dê uma nota para meu blog





O que é isto?