Retalhos e Pensamentos


Zoológico

Não sou loba. Nem gata. Galinha, baleia, cobra, burra, vaca, passarinha, perua, cachorra, nem nada ligado ao reino dos animais irracionais. Sou mulher. Apenas mulher, com todas as minhas qualidades, defeitos, alegrias, tristezas, vitórias, frustrações. Prefiro que, em lugar de me chamarem de gata ou galinha, me chamem de bela, guerreira, sensual, feia, magra, gorda, inteligente, gostosa, incapaz, metida, volúvel, meiga, irada e todos os adjetivos possíveis e imagináveis. Desconfio que eu seja todos eles e mais alguns, ainda não criados. Sou, definitivamente, mulher. Plena, viva e vibrante. É isso. Mulher.

 

[fiquei pensando nisso após ler a bela poesia da Gió, onde passarinhas, gatas, lobas e afins têm sua vez pois trata-se de licença poética e na poesia a alegoria é imprescindível, diferentemente de quando ouvimos um  ¾ E aí, gata, tudo bem? Ou  ¾ Oi gata, quer teclar? Ou, ainda: ¾  Olha essa gata, meu... maior galinha! ]

 

Ariane



 Escrito por Ariane às 20h03
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Contribuições da And

 

 

"Há uma sutil diferença entre não saber nada

e saber que não se sabe nada.

A primeira é uma ignorância;

A segunda, uma transcendência."

(autor desconhecido)

 
Beijoca da Tê


 Escrito por Ariane às 08h34
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Marido Nervoso

Achei isto tudo muito engraçado, tanto os termos da certidão quanto a conclusão a que chegou o senhor oficial de justiça:

 

“Certifico que deixei de citar a requerida por não a ter encontrado, tendo ocorrido o seguinte: procurei a requerida por várias vezes, sem êxito, encontrando sempre o imóvel fechado. Nesta data, por volta das 19h20min, localizei em frente ao imóvel o marido da requerida, o qual me declarou que a requerida é sua esposa e está resididindo atualmente na cidade de São Paulo, entretanto, de forma extremamente agressiva manifestou que não iria fornecer o endereço de sua esposa na cidade de São Paulo, tendo se mostrado muito nervoso com a presença deste oficial, esboçando inclusive intenção de dar um soco neste oficial. Em que pese tal comportamento altamente reprovável, a informação prestada, de que a requerida reside na cidade de São Paulo, está em sintonia com a certidão anterior de que a executada não reside ali, daí por que deixei de proceder à citação com hora certa, não havendo suspeita, por ora, de que esteja a requerida ocultando-se, ao contrário, a impressão que tive é que a requerida abandonou o marido nervoso. Nada mais. O referido é verdade e dou fé.” (sic)

 

Em tempo: o marido da requerida é manso como um cordeiro e se nervoso ficou foi por conta da truculência do tal oficial que afirmava estar sua esposa se escondendo quando na verdade ela é vítima de uma doença incurável e em tratamento em São Paulo. A “requerida” não abandonou o marido que não é nervoso. A certidão chamou minha atenção por dois fatos: o primeiro é a forma jocosa como foi escrito e o segundo diz respeito à questão sobre a qual venho falando há algum tempo: juntam-se alguns fatos reais com a interpretação de um terceiro e a história vira outra, certificada por oficial e com fé pública.

Ariane

 



 Escrito por Ariane às 16h59
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Incapacidades

Muito se fala de espelhos. Muito se pensa em verdades. Muito se quer que fatos frios se transformem em lindas histórias. Para que escrevemos? Para quem? Para as outras pessoas ou para nós? Escrevemos sobre outras pessoas ou sobre nós? Tudo o que escrevemos vem de dentro de nós como coisas vividas, ou criadas pelos nossos sonhos e imaginação?

Tenho comigo que há formas variadas de escrever sentimentos. Há aqueles que saltam para fora de nossa vivência, que realmente foram vividos e sentidos. Há aqueles imaginados, sonhados, pensados e nunca realizados. Isso não importa. O que importa é tocar aquela outra pessoa que está nos lendo. Sempre alguma palavra vai tocar um coração sensível, num momento especial. Minha forma de escrever, eu não saberia fazer diferente, é a primeira. Escrevo sobre o que vivi e sobre o que realmente senti. Escrevo sobre fatos e passagens da minha vida. Porém, escrevo sobre fatos e sentimentos vividos por outras pessoas, próximas ou distantes de mim. Escrevo sobre casos que ouvi, que presenciei e então, recheio as histórias com o que penso ser verdade. Com o que penso e tento descrever como foram os sentimentos das pessoas envolvidas. Realidade? Ficção? Um pouco de tudo. Quando se fala em espelhos, talvez seja isso. Nossos sentimentos colocados no papel. Sentimentos de outros, que também colocamos no papel, tentando nos travestir nessas pessoas, nesses acontecimentos e tentando captar aquilo tudo que pensamos ter sido vivido por outros. Gostaria de ser mais capaz. Gostaria de criar, realmente criar fatos e casos, inteiros e complexos. Gostaria de imaginar um todo, contar uma história inteirinha saída da minha imaginação. Não consigo, não sei se um dia conseguirei e deixo aqui minha admiração a todos aqueles que fazem ou já fizeram isso.

Ariane



 Escrito por Ariane às 00h56
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Pensamentos

 

Fico pensando. Tenho mania disso, pensar. Penso e repenso, chego em milhares de conclusões, certezas que são desconstruídas logo adiante, no próximo pensamento. Vivo e me desfaço em gentilezas, iras, alegrias e tristezas que não sei de onde vêm, não sei para onde vão no minuto seguinte. Mudança constante como se fosse uma massa, moldável em várias formas, belas ou assustadoras. Um ser mutante, mas sempre a mesma na essência. O que me faz multifacetada para outros. Não sou o que me dizem ser, sou o que vêem em mim, não sou o que pensam, não sou o que penso ser. Sou eu. Por que é tão difícil para o mundo compreender que eu seja o que digo ser? A resposta vem no instante seguinte. Porque sou mutante. Sou várias em uma. Sou aquela que pensa, deseja, sofre e ri tudo ao mesmo tempo e no mesmo instante. Difícil para quem deseja entender, senão impossível. Ah, hoje estou com os pensamentos desencontrados. Como é possível todos acreditarem nas suas mentiras e não conseguirem ver suas verdades tão escancaradas?

Ariane



 Escrito por Ariane às 13h33
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, retalhosariane@uol.com.br
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