Retalhos e Pensamentos


Semana Santa

Recebi esse e-mail da Andorra, publico porque reflexões da moça sempre são interessantes e procuro não ser egoísta  J

 

 

  

Devo ter algum problema, Ariane. Não agüento exploração da imagem de Jesus, dessa coisa piegas e abusiva de Semana Santa, de gente me intimidando pra saber se tenho coragem de crer (e participar do circo) e mandar pra outras pessoas a minha "demonstração" de fé! Se eu optar por não enviar a mensagem chorosa para mais umas tantas pessoas, estarei condenada a arder sei lá onde do inferno (que eu não sabia que já está departamentalizado, mas bem que desconfiei).Que droga!

Será o benedito que até pra rezar tenho de obedecer a vontade dos outros? Nem com Deus posso ter a intimidade de chegar quando eu quiser na casa dEle e me dirigir a Ele com as minhas palavras, meus sentimentos, meus tudo o que eu quiser? Se Ele me permite, por que tenho de obedecer homens e ritos?

Não fico triste em Semana Santa, fico é zangada com achaque à imagem divina, com a banalização da dor  que é íntima e a generalização de sentimentos.

Não é à toa que o mundo está essa confusão infernal - pra se ter uma idéia, é preciso matar um monte de entes queridos, de forma violenta, para provar que é preciso preservar outros entes queridos! Alguém entende?

Eu não!

Devo ter algum problema, repito, compreendo o papel dos rituais e símbolos, mas não consigo entender por que é preciso ficar compungido e encavernado para comemorar dor. A morte de Cristo não foi para nos salvar? Já não sabemos que haverá a celebração, a vitória do Pai, da vida eterna? Gente, alguém pode me explicar por que tenho de ficar triste? Agradeço por viver,  ter sido incluída nas intenções dos fatos de quase 2000 anos atrás, mas não sou grata só nestes dias de comemoração.Alguns já perderam filhos por doença, assalto, acidente, morte natural, sei lá. Quantos comemoramos a data de partida? Eu me recuso a sofrer com dia marcado: me preparar na quinta, sofrer na sexta, malhar o Judas no sábado (Deus ensinando a bater e a se vingar das fraquezas e burradas humanas???????) e comer chocolate no domingo. Que coisa, essa! Pra merecer a festa é preciso mesmo doer? Estamos mesmo falando, aprendendo e ensinando que alegria custa uma porção de amarguras?

Ué...Acho que devo mesmo ter algum problema.....



 Escrito por Publicado por Ariane às 10h44
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Vida

Para onde vão caminhos que se perdem?

Construções que param pela metade.

Sentimentos que se transformam.

 

Para onde leva a busca?

Desencontros, amores, tristezas.

Saudade de ser criança.

 

Ariane



 Escrito por Publicado por Ariane às 10h36
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Tempos Modernos

Travei meu primeiro contato com teclados e telas através de um vídeo-texto que surgiu em casa. Há muito, muito tempo.

Depois dele, minha conta telefônica nunca mais foi a mesma.

Brinquei um pouco com ele, mas logo cansei e ficou lá, o pobre, esquecido num canto qualquer.

Logo em seguida, veio outra novidade.

Um PC. Novinho em folha. Com aquela tela pretinha, letras verdes e um driver de disquete que, tenho certeza, meu filho tentaria, hoje, encaixar um CD e não iria entender bem pra que um driver daquele tamanho.

Logo cansei daquela geringonça também, e cuidava de tratar da minha velha máquina de escrever com mais carinho ainda.

Então um belo dia meu irmão surgiu com a novidade: um IBM Aptiva 486. Última geração. Coisa de doidos.

Olhei pra ele com desconfiança e um pouco de medo, ao mesmo tempo que olhava pra minha máquina de escrever pressentindo que ela estaria entrando nos seus merecidos dias de descanso.

Mas ele me conquistou. Comecei a explorar seus recursos num misto de receio e fascinação. O Word transformou-se numa das maravilhas do mundo moderno e eu estava feliz com o maravilhoso 486.

Mas, como tudo, ele foi ficando ultrapassado e, já picada pela dependência da máquina, comprei um maravilhoso Pentium 100, montado em Xing Ling com genuínas peças made in Paraguai.

Funcionava!! Era rápido, não travava. Maravilha !!



 Escrito por Publicado por Ariane às 01h34
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Tempos Modernos

E então, surgiu a Internet.

Pobre Pentium 100, de maravilhosa máquina que resolvia todos os meus problemas de texto, virou uma geringonça detestável que não conseguia acompanhar minhas crescentes necessidades de navegação. [necessidades?]

Então, meu filho cresceu.

Acabaram-se meu dias de entendida em PC´s.

Na verdade nunca entendi nada de nada, mas com os papos dele percebi que meu nada era menos que nada.

Comecei a “precisar“ comprar cabos, placas-mãe, placas de som, de vídeo, o diabo a quatro, que eu nunca soube estarem escondidas dentro daquela caixa que chamavam de CPU. E tive um monte de CPU´s sem nunca ter me preocupado em saber que aquela caixa enorme, que só atrapalhava, tinha esse nome.

Minha pobre máquina de escrever virou uma peça de museu, mas que ocupa seu posto em cima de uma velha escrivaninha e desperta curiosidade e comentários dos amigos dos filhotes. Alguns deles, totalmente dispensáveis.

 

    Ei, tia, de que século é isso?

    Isso funcionou algum dia? Pra que servia?

 

Ariane

 

 

 



 Escrito por Publicado por Ariane às 01h33
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Dúvidas

Fico pensando o que faz as pessoas se moverem. Numa ou noutra direção.

Por que todos pensamos: será? Será isso? Será aquilo?

O que nos leva a tantas dúvidas? Tantos desencontros?

Pensar é exercício que não gosto de praticar, apesar de ser inevitável.

Alguém já reparou como somos seguros de nós, de tudo o que fazemos, até o momento em que deparamos com alguém que nos importe?

Aí ficamos bobas, e bobos, bate uma insegurança tão grande que chegamos a duvidar que sabemos até mesmo nosso nome. Duvidamos de tudo. Precisamos de provas diárias de nossos acertos.

Enfim, pra que pensar? Pra que racionalizar, entender, se quando eu menos esperar vou me colocar novamente sob a irracionalidade das minhas dúvidas?

 

Ariane



 Escrito por Publicado por Ariane às 20h36
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Bate-papo

 

Entrementes, entremeios, entre-mails

Entre tantos entes,

Tantas mentes, tantos enters,

Saio, sem finalmentes.

 Ariane



 Escrito por Publicado por Ariane às 20h07
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Quero ser vira-lata

A maioria das pessoas deve conhecer um pet-shop. Um daqueles de shopping, com vitrines grandes, onde as pessoas param para observar os cãezinhos sendo banhados, escovados, perfumados, virados do avesso e de novo para o direito.

Sofrem, não?

Saem de lá com os rabos levantados, orelhinhas em pé, fitinhas na cabeça, gravatinhas no pescoço. Uma graça.

Mas... alguém já perguntou ao cãozinho o quanto de horror foi tudo isso? Esse banho e escovação apesar dos benefícios futuros, parece-me um exercício de tortura.

E foi pensando nisso que eu cheguei a conclusão que tive um dia de cão. Não. Não apenas um dia de cão. Um dia de cão de madame, em pet-shop.

 Ariane



 Escrito por Publicado por Ariane às 22h11
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Ariane:

A gente se irrita, não sabe com o que, e irrita-se mais quando outros nos perguntam: por que está irritada?

 

Tê:

É insatisfação, Ariane. É a sensação de estar sendo desperdiçada bobamente por quem nos devia aproveitar.

 

Será? Será isso?



 Escrito por Publicado por Ariane às 02h03
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Publicando um Poetrix, escrito pela Andorra... este aqui foi vencedor de um concurso, lá em Portugal.

Lindo ele, And, como você.

Fugaz

 Cama desarrumada,

 liberdade para as borboletas

 estampadas nos lencóis...

 



 Escrito por Publicado por Ariane às 19h13
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Domingo esquisito

 

 

Muita gente me diz: eu sou normal. Vivo imaginando o que seria ser normal. Sempre me digo esquisita. Nas idéias, nas posturas, nos julgamentos. Hoje foi um daqueles domingos de almoço na casa da mamma, regado a muita macarronada, carne assada com batatas e conversas em volta da mesa.

Todos falando ao mesmo tempo, aquela babel de sons, vozes e assuntos, tão díspares quanto o número de pessoas presentes naquela mesa, presidida pelo patriarca, claro, enquanto a mamma lidava com o fogão, senão, que raio de almoço domingueiro seria esse?

A conversa começou entre eu e a mamma, aquela dúvida inquietante: ¾ mãe, estou pensando aqui... será que está na hora da sua neta se casar? Será que ela vai ser feliz? Será que é isso o que ela deve fazer?

Caiu o mundo, o macarrão, o molho e tudo o mais.

¾ Que raio de pergunta é essa? É claro que ela deve casar-se, aliás, já está demorando muito. Quando a gente fica namorando muito tempo, chega uma hora que casa ou separa.  Definitiva, como sempre foi a mamma.

¾ Aliás, minha filha, hoje em dia nem sei como esses moços casam, com esse namoro libertino que virou moda.

Pronto, chegou no ponto... libertino? Fiquei pensando, tomando coragem...

¾ Mãe, a senhora casou-se virgem, como eu, como sabia se iria gostar da coisa? (neste ponto melhor não abusar e falar em sexo, sob pena dela ter uma síncope)

Eu estava preparada para muitas respostas ou para um olhar enviesado, mas não para o que ela respondeu.

¾Minha filha, a gente não gosta dessas coisas! Simplesmente a gente deixa eles usarem. (eles são os maridos, óbvio, jamais serão outros que não os maridos)

Depois de tanto tempo, tanta coisa, tanta vida passada juntas, descubro com certa mágoa, tristeza, nem sei o que mais, que minha mãe, naquele seu modo esdrúxulo de pensar, foi estuprada a vida inteira. Pelo meu pai.

E voltei pra casa, pensando. Sou esquisita. Sem querer falei isso alto, no carro. Filhos ouvindo. Claro que não poderia ficar sem resposta:

¾ Mãe, ninguém é normal. Nós não somos normais, mas você poderia ser normal igual a nós.

Bem, isso fica pra outra hora.

 

Ariane

 



 Escrito por Publicado por Ariane às 16h06
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