Retalhos e Pensamentos


Sobre filhos e falhas

Vou falar por mim, pois sou a única pessoa nesse mundo que pode fazer isso. Não importa a visão que outros tenham, posso estar coberta de razão, posso estar inteiramente errada, mas é quase impossível alguém me convencer que quando errei, naquele momento, naquele instante, eu estivesse errando.

Por quê? Ora, parto do princípio que amo meus filhos, aliás, nem é princípio... é fato, então eu não erraria com eles. Pelo menos, não faria nada que pudesse considerar injusto.

Mas sou mãe e isso é passaporte para não errar? Para sempre acertar? Mães ganham algum código secreto quando estão para parir?

Claro que não, a única garantia [na maioria dos casos] é que vão amar incondicionalmente, o que não significa que vão acertar sempre.

Mas não estou dizendo tudo isso por algo que tenha acontecido ou por ter alguém olhando pra mim, com olhinhos acusadores. Pelo contrário, amo e sinto-me muito amada pelas crias, que aliás, são lindas demais. [Momento coruja]

O que me deixa cismando é que eles crescem e parece que a cada dia que passa, a cada novo aprendizado, vão questionando tudo aquilo que fazemos, dizemos, pensamos. Estão certos, claro, afinal somos crianças crescidas também, não temos a chave da sabedoria guardada na nossa mente.

É delícia vê-los questionando, nos colocando em xeque naquelas posturas e atitudes que construímos durante a vida inteira. Nos fazem repensar. E ver.

Filhos são nosso espelho mais fiel. Falhas nossas, refletem-se neles.

Isso é assustador. É intrigante. É lindo. É motivo para nos fazer olhar para o espelho de forma crítica e estar sempre corrigindo a imagem.

Ariane



 Escrito por Ariane e Geórgia às 13h00
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 Não é lindinho demais??

 Escrito por Ariane e Geórgia às 02h41
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Nós

Quando pensamos em nós, esquecemos que nós somos um monte de gente. Talvez por isso seja plural. Não pensamos eu, pensamos nós. O que são esses nós? Somos a trindade: o que pensamos ser, o que pensam que somos, o que realmente somos.

Como saber o que realmente somos se pensamos uma coisa, outros pensam outra e somos outra ainda?

Onde está o ponto de equilíbrio? Como saber o que realmente somos?

Talvez através da exposição do que pensamos ser. Da análise do que os outros vêem. Da tese, antítese e síntese.

Mas, peraí. Não sou síntese. Eu sou eu, inteira, absolutamente contraditória.

Seria terrivelmente chata se fosse sempre a mesma. Ou será que sou? Será que me vêem sempre a mesma? Será que sou terrivelmente chata?

Bolas, que raios de pensamentos vão invadindo minha cabeça. Que me importa o que acham de mim?

Perguntas sem respostas, porque independentemente do que acharem há milhares de considerações.

Quem se dispôs a gostar de mim, vai procurar me dar toques, conselhos, dicas, para que eu melhore no que não sou tão boa quanto penso ser.

Quem não gosta, vai sempre achar tudo de ruim.

E há, ainda, os indiferentes, que mal sabem da minha existência, portanto, tanto faz quanto tanto fez, se sou assim ou assada.

É, pra que ficar me preocupando?

Pra quê?

Sei lá, talvez pra melhorar o que dá pra ser melhorado, pra mudar o que dá pra ser mudado, pra continuar sendo essa coisa esquisita, estranha e cheia de idéias que não interessam a ninguém, mas são importantes, porque é delas que extraio meu melhor. E vivo meu pior. Sempre.

 



 Escrito por Ariane às 00h37
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Um papo qualquer - parte III

ariane diz:

antigamente [e ainda hoje, entre árabes, japoneses, nobreza] as pessoas se casavam com o mais conveniente e amavam quem queriam pelo resto da vida

ariane diz:

é mais ou menos o que venho dizendo: casamento é família...

Geórgia diz:

E isso é ser consciente? Isso é não ser sofrida?

ariane diz:

amores e paixões são pessoais...se vc quer família, não pode se casar por amor

pq amor acaba, família permanece.

Geórgia diz:

Não vejo assim.  Casa-se por amor, depois ao longo do tempo vamos substituindo isso que chamam de amor  por outros sentimentos, digamos, mais nobres.

Geórgia diz:

Ainda acho que o amor não é tão nobre assim.... Essa noção exagerada do amor, onipresente, é mto cruel.

ariane diz:

casa-se por amor... e eu acho que NÃO se deve casar por amor.  Deve-se casar para constituir família, um contrato mesmo... tem que se casar com amigo.

Geórgia  diz:

não.. deve casar-se por amor, extremosa paixão.. e com o tempo  a substituição vem naturalmente.. não tem jeito. Já disse que o amor não é nobre. Mas já me disseram que deveríamos casar com quem tem bom papo, assim na velhice teríamos com quem prosear....

ariane diz:

casa-se por amor.... depois vamos substituindo sentimentos..... mais nobres? na maioria das vezes, bem menos nobres....

Geórgia  diz:

prestenção ow.. não leia somente o que vc quer ler...As relações humanas são muito mais complicadas. Levam em conta interesse, conveniência, oportunidade e preconceito.

ariane diz:

pois acho que os árabes estão certos.

ariane diz:

ora,gió, quem  tá sendo romântica

estou separando família e amor

Geórgia diz:

Não adianta. Nós mulheres, vamos sempre pisar na bola! Vc tem razão quanto ao romantismo que detectou aqui em mim.  Escorreguei na casca da banana!

 

 

 

 



 Escrito por Ariane às 00h36
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Um papo qualquer - parte II

Geórgia diz:

Lya é esplendorosa, viveu muito, sofreu muito, e aprendeu muito. Agora ela reparte,  com os menos ousados. Mas eu também estou apaixonada, não é só você. Com esse livro que comprei e  vou te mandar... é algo de sério, de profundo, de cômico, com uma conversação parecida de chat, e com muitos, muitos lances bacanas sobre a repressão da mulher e o desejo  da libertação.

 

Geórgia  diz:

Me parece que como as mulheres são bichos-sofridos, a autora (a merecedora da minha paixão) arrumou  uma válvula de escape: O grito textual!

ariane diz:

mulher não é bicho sofrido..., é apenas consciente. E mais centrada.

Geórgia diz:

Sofridérrimas!!!!!!!! por séculos e séculos!!! Sofremos repressão moral, intelectual e profissional.

Geórgia  diz:

Tão sofrida e tão pouco consciente,  que precisou Marsters e Johnsons, na década de 60 (olha pra vc ver, nem tanto tempo tem) sair no mercado nos avisando que temos clitóris. Até então não sabíamos!!!???

ariane diz:

sabe o que eu estava pensando, hoje pela manhã? primeiro: a gente deveria salvar todos os papos que temos....depois juntar tudo num texto... e ver o que dá

ariane diz:

segundo: sobre o casamento e os amores...ando vendo tanta gente se dando mal....

Geórgia diz:

É.. se faz tanto mal em nome do amor



 Escrito por Ariane às 00h35
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Um papo qualquer - parte I

Um papo qualquer, num dia qualquer

 

Geórgia diz: - bom dia!!

ariane diz: - Geó.... tô apaixonada...

ariane diz: - e a culpa é sua.

Geórgia diz:  - Não diga! Quem provocou em você tamanha revolução?

ariane diz:

aliás, preciso agradecer.... se não fosse por vc, jamais a teria conhecido....

Geórgia  diz: - Já sei! Lya Luft.!

ariane diz:

ela... eu estava lendo... e pensando que ela diz tudo o que eu sempre pensei, mas não sei escrever...ela sou eu ou eu me vejo nela, sei lá.. mas o pensamento é tão parecido que chega a ser esquisito...

Geórgia  diz:

Leia depois, retrato de família... um livro fino, mas de alto impacto... é aquela coisa de ler, chorar, pensar, e ver que  no fundo familias só mudam de endereço!

E o mais novo dela: Pensar é transgredir. (Excelente título por sinal, a expressão da verdade).

Ariane diz:

Perdas e danos..... vc já leu... eu comecei agora, mas tenho certeza que já falei muito do que está lá, para você. Há um momento em que ela fala sobre crianças que são deixadas quietas.... que crescem sem encarar o mundo, mas munidas de uma intuição... essa sou eu...meus pais sempre me deram espaço, pra brincar, pra ler, para ficar quieta... e eu fiquei.... acho que por isso penso demais... e muitas vezes, errado, claro...

 



 Escrito por Ariane às 00h34
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Berço da idéia

Este blog surgiu de uma idéia maluca.

Ocupamos nosso tempo com trabalho, filhos, pepinos a descascar, ficamos exaustas no final do dia e ainda assim achamos que papear pela internet é um lazer. 

Após várias conversas malucas e outras nem tanto, resolvemos editar nossos conceitos, idéias, dúvidas e certezas, se é que as temos.

Por isso, a idéia do blog foi germinando na mente de cada uma e a efetivação surgiu.

Leiam, opinem, dêem idéias. É uma colcha de retalhos, alinhavada dia-a-dia.

Geórgia e Ariane.

 



 Escrito por Ariane às 23h05
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